12.3.11

então é assim:

agora que nos começamos a aproximar das 48h, e mesmo depois de uma tarde que podia dar todas as provas de que haverá coisas fáceis e boas e bonitas depois de um desaire, estamos convencidos a tentar - nós, eu e o meu umbigo.

as primeiras vinte e quatro horas são as mais fáceis

portanto, as conclusões que tirei ontem terão de ser reavaliadas e não amadurecidas.
a partir de agora é que conta.

11.3.11

um pacote de batatas fritas e uma sandes de queijo fresco

foi tudo o que consegui comer hoje.
não tenho fome.

entre dúvidas, mortos e feridos (2)

é mais fácil não ter medo.
é mais fácil não correr riscos.
é mais fácil não cair.
é mais fácil não esfolar os joelhos.
é mais fácil nunca termos dúvidas.
é mais fácil sermos só nós.
é mais fácil não depender.
é mais fácil nunca ter vontade de chorar.

mas, será melhor?

entre dúvidas, mortos e feridos

ouvimos discos que adoramos, vamos ao cinema sozinhos, bebemos um whisky sozinhos, treinamos as notas que nos ensinaram na guitarra, voltamos aqui e encontramos isto.

caramba, uma pessoa nem sabe se merece, mas fica contente.
só eu sei o que sinto quando encontro nas palavras de outra pessoa exactamente o que penso, sinto e quero escrever. muito obrigada, sofia.

não é sofrimento

é só uma tristeza miúdinha.
que mói.

7.3.11

assim que este mês acabar

celebra-se a mais durarouda saída do ninho e aquilo que gosto de pensar que é, finalmente, o fim da minha fama de filha boomerang: um ano;
celebra-se um ano e meio no mesmo trabalho mas, tinha que ser, já com vontade de mudar - ainda não foi desta que começamos a contribuir para a carreira de uma década na mesma empresa.

6.3.11

tenho para mim

que vamos passar a vida intrigados pelas dicotomias. pelas dúvidas que, mesmo com a idade e algumas certezas que nos chegam, nos vão confrontando, ano após ano.
tenho para mim que a idade, a pele, as rugas, são apenas um disfarce para emoções que, com os anos, não só não morrem mas, mais ainda, sentem necessidade de nascer uma outra vez.
tenho para mim que a idade só nos traz a consciência porque tudo o resto acontecerá, para sempre, da mesma maneira.

e por mais assustador que isso seja: ainda bem.

descobri que já não sou gulosa como um dia fui

ou que, por ora, não preciso de procurar a felicidade no fundo de um pacote de bolachas ou comprar outro só para não dizer que não tentei e não corri atrás.

o meu corpo agradece que não seja sempre ele a aguentar aquilo que o meu coração não consegue.

27.2.11

daqui a quatro meses

faço trinta anos.

tenho medo

e quando penso nisso, e naquilo a que o medo me leva a pensar, tenho uma pequena luta interior entre aquilo que eu sou, o que pensava que era e naquilo que me tornei, sem saber. e ter medo é coisa de quem sabe de que tamanho são as quedas, hoje compreendo isso melhor do que quando tinha vinte e acusava essas pessoas de cobardia.

é ter medo, caramba!
e não é de gostar, é de perder.

26.2.11

não sei bem por onde começar

acontece-me, sempre, reler coisas que escrevi e não fazer a mínima ideia a que se referem. não me lembro pela data, não me lembro pelo assunto, e é sempre assim. encripto posts o mais que posso, talvez com o tempo tenha deixado de o fazer tanto, e escondo o blog da maioria das pessoas que me conhecem. dar este meu endereço é sempre um voto de confiança extremo, é dizer: podes ler o que quer que seja sobre mim, porque eu não me importo e tu também não te importarás. sim, porque o que escrevo aqui pode não ser entendido por todos, pode não ser bem gerido por todos. e assim é, tenho um diário que às vezes partilho, é um sítio onde posso ser aquilo que eu bem entender que, neste caso, sou eu própria. sem merdas, mas com posts encriptados, porque de alguma forma me custa escrever de forma tão óbvia coisas tão pessoais.

mas hoje, vamos abrir uma excepção. quero-me lembrar porque escrevi este post - de qualquer forma saberia, já vão saber porquê - e quero assumi-lo. primeiro para mim, depois para vocês.

se esta folha branca fosse uma folha de diário, colorida e perfumada, hoje começaríamos assim:

querido diário,
estou numa relação.

14.1.11

2011 começou bem demais

eu já não queria em cima dos ombros esta coisa do: dois mil e onze é que vai ser. quer dizer, claro que quero mais, há umas coisas que me faziam jeito, mas para quê criar expectativas? para quê achar que vai ser melhor?

e este ano está a começar tão bem, que só dou por mim a pensar: esta merda só pode acabar mal.

ontem fui ao meu primeiro concerto do ano ou um post dedicado aos one night stands (aos que tive e aos que ainda vou ter)

uma pessoa passa umas poucas noites do seu mês a trabalhar, vira noites como quem malha copos, uns atrás dos outros. tem uma vida diferente e, como bem diz a sua entidade patronal, trabalha quando as outras pessoas se estão a divertir. e isto trouxe, de imediato, dois factos à minha vida: não sei o que é ter fins-de-semana livres, isto é, não sei o que lhes fazer porque não é hábito poder usufruí-los; depois, adoro sair aos dias de semana, entenda-se: estragar-me aos dias de semana. e as quarta-feiras costumam ser generosas.

ontem escrevi um post incrível mentalmente. não era incrível, mas apeteceu-me muito empregar o incrível naquele contexto. todas as palavras me saíam bem e, quando não saíam, eu fazia uso do backspace e começava de novo. fiquei a achar que tinha escrito um primeiro parágrafo com potencial para dar um bom post, mas varreu-se-me.

só me lembro do assunto, here we go again: one night stands.

uma mulher - sim, estava agora deitada na cama a achar que me dava jeito, por várias razões, ter uma companhia para me aquecer os pés e lembrei-me que realmente tenho quase trinta e os vintes e poucos já se foram todinhos - tem as suas necessidades. sim, assim como os homens. gostamos de carne e temos sede e gostamos tanto de pecado que tomamos tudo e mais alguma de assalto, dentro destas cabecinhas. sim, é verdade.

aparece um tipo que nos provoca. um tipo a quem achamos piada, mas de onde nunca saiu nada mais que conversas ocasionais, sem particular sintonia ou amizade. sem qualquer profundidade de laços. mas um dia, mais ou menos do nada, o tipo aparece e provoca - tão bem que sabe ter alguém do outro lado disponível - e, agora depende de cada um mas eu sou eu, vai daí damos-lhe troco. e, sem mais rodeios, uma noite acontece, porque duas pessoas que se provocaram mutuamente decidiram. ah, e tal, sem floreados, ser claros é que é bom, não há cá segundas intenções, é o que é, é sexo e mais nada, queres ou não? e porque gostamos de carne e temos sede parece tudo muito bem. e não é mau, quer dizer, depois depende tudo dos players, mas há sempre qualquer coisa a tirar dali. não é mau de todo, não foi mau de todo, e era bom que houvesse mais, pensa-se. adeus discernimento, adeus bom senso, adeus tudo e mais alguma coisa: aquele tipo tem sangue a correr-lhe nas veias, calor humano é bom, gostamos de carne e temos sede, por isso, que se lixe, é mesmo isto. é mesmo este tipo que quero, como quem diz: dava-me jeito ter alguém aqui disponível. ou mais: pode ser que um dia ele se engane e em vez de dizer 'quero-te' diga 'amo-te', esse tipo de merdas. pode ser que um dia ele se engane e durma connosco, nos aqueça os pés e até nos sorria quando acordar. talvez, é pouco provável mas nunca se sabe, ele nos ligue no dia a seguir, a contar uma trivialidade qualquer. talvez um dia saiamos da cama e vamos ao cinema e comer, de verdade. ou então não.

não há mal nenhum em gostar de carne e ter sede. uma mulher chega quase aos trinta e já viveu umas coisas, já os conhece, assim de forma geral, sabe o que a casa gasta, e começa a ser difícil haver surpresas tão horríveis de uma coisa que acontece ali, numa noite.

deito-me e olho para o lado: não está ali ninguém.

e penso: agora encontro-o na rua e fingimos que nos conhecemos no outro dia, que nunca nos vimos nús. agora encontramo-nos e os nossos amigos não sonham que um dia fomos outra coisa e nós, que sabemos, olhamo-nos sem nos querer ver nús - para não piorar o constrangimento - e sem querer revelar mais do que se é suposto saber.

resultado: perde-se um potencial amigo, porque já não era amigo, ficam menos probabilidades de se marcar encontros sem que o outro pense que o outro quer mais alguma coisa; começa-se a perceber que não haver floreados é uma merda, uma mulher gosta de carne e tem sede, mas também gosta de sonhar. Vestidos, no dia a seguir, as coisas não parecem nada, parece só que nunca existiram. Fica um vazio: não há provocações; não há hipóteses de cházinhos para fazer amizade; e sexo de uma noite ou é incrível ou nunca tem força para ser lembrado para sempre.

agora, o meu amigo f. que não me ouça, vale a pena? mas vale a pena ir ter com um tipo, aumentar a lista por descuido (porque existem grandes probabilidades de não valer a pena) sem dar tempo que nos peça o número de telefone - ou se descubra que nunca o pediria se não fosse para o tal encontro, à noite, no escuro; vale a pena assumir que não há floreados e não precisamos de sonhar, só de comer?; se é mesmo isso que queremos: ir a um encontro que sabemos que não se vai repetir, como se não fizesse mal?

Na verdade eu acho que não. Acho que não vale. Sensatamente, à luz do dia, no dia a seguir quando o encontro, sei que não valeu a pena. Não valeu, pronto.

Mas eu gosto de carne e tenho sede.
Não há nada a fazer.