domingo e segunda-feira. a aproveitar as reposições dos melhores de 2006 ali no Nimas.
"O Grande Silêncio". revelou-se apenas meio silêncio. deu direito a sair da sala do cinema a meio. expressivo qb e realista também, de paisagens deslumbrantes e bonitos detalhes. roubaram-me emoção quando os olhava nos olhos, quando eles me fixavam como eles a mim, os monges. quando se viam rostos por detrás daquilo que são e aquilo que fazem. quando os humanizamos pelos olhos para além das cobertas e dos capuzes. a devoção e a fé que são tão grandes, enormes, que fazem abdicar de tudo. uma coisa tão suprema que é maior que todas as outras. fundamentalismos à parte e por discutir: quem pode culpar alguém por viver para uma coisa em que acredita e por amá-la acima de todas as coisas? e, mais, assim ser feliz? Faz pensar.
"Dans Paris". tempo de filme cumprido até ao fim. diria denso, diria intenso. as emoções, mas também a quantidade de coisas que se passam numa hora e meia faziam pensar que lá estaríamos estado umas duas, pelo menos. não posso dizer: brutal. posso dizer que tem detalhes muito bons, boas interpretações e várias cenas a-vida-como-ela-é, um realismo que faz sorrir de soslaio porque todos sabemos que pode ser mesmo assim. e o é. tanto ali. como aqui.
31.7.07
dois dias dois filmes ou o que se chama tirar a barriga de misérias
Etiquetas: filmes
eu quero mesmo é um emprego, mas enquanto não vem preciso mesmo é de um estágio (2)
oito cartas virtuais enviadas e uma resposta imediata: aqui não há estágios.
can't blame you.
Etiquetas: o estágio
e a propósito do euromilhões: três confissões (quase) escandalosas
1) as vezes que joguei no euromilhões contam-se pelos dedos de uma mão: na primeira houve prémio em Portugal e eu só fui verificar o meu bilhete depois de estar caducado, quase um ano depois;
2) nunca sonhei verdadeiramente em ganhar o euromilhões e tenho sérias dúvidas de o querer ou desejar;
3) raramento digo 'se eu ganhasse o euromilhões'.
ainda que obviamente gostasse de ter dinheiro suficiente para concretizar alguns sonhos.
Etiquetas: quotidiano
crime punível com pena suspensa de um ano sem jogar no euromilhões
alguém dizer, como ontem à noite, que se ganhasse o euromilhões abria um bar no miradouro da Senhora do Monte.
Etiquetas: quotidiano
30.7.07
amo-te
sussuraste-me ao ouvido amo-te. e mesmo sendo um dos dias mais quentes do ano houve um frio que me percorreu lentamente a espinha, como que a acompanhar o eco te, te, te.
Etiquetas: esquissos
eu quero mesmo é um emprego mas enquanto não tenho preciso mesmo é de um estágio
acabei uma lista de 14 entidades onde gostaria de por os pézinhos e as mãozinhas mesmo sem ganhar um tostão que fosse. é que já que é de borla e tenho mesmo de fazer o estágio, então que seja uma coisa como deve ser.
pela manhã começo a tratar do assunto.
Etiquetas: o estágio
29.7.07
silêncio
sei perfeitamente o que te incomoda neste silêncio: tu. és tu que te incomodas na ausência de algum barulho que te faça esquecer aquilo que pensas, aquilo que fazes mas, sobretudo e principalmente, quem tu és. pára. aceita a solidão. pára e pensa. leva as mãos à cabeça e reflecte. puxa os cabelos com a força que quiseres como se desfiasses o tempo que guardaste dentro de ti. e agride-te com os fantasmas que guardas nos punhos. cerrados. e deixa-te cair absorta no chão, como se aquilo que te corre nas veias e chega ao coração te espancasse lenta e pesarosamente, como se cada lágrima que agora gritas fosse tão sofrida que fizesse chorar mesmo quem não te sabe, nem te vê. não é a vida, é o silêncio. entrega-te a ele para que amanhã sejas feliz no barulho. contigo. shhh. ouve aquilo que o silêncio tem para te dizer. e chora. chora para depois viveres. contigo. e feliz.
Etiquetas: esquissos
paz (podre)
nas fotografias de família estás sempre a sorrir. ainda hoje, passados que estão vinte anos, olho essas fotografias surpreendido pelo teu sempre-presente sorriso. como se tu fosses mais que a amélia e antes de todas as coisas fosses o teu sorriso. aquele que deixaste marcado em todas as fotografias. o álbum de família cheira a pó, não sobra dele muita luz, nem muita cor. o cinzento que se esbate nele e sobre ele é já tudo o que resta. ele e o teu sorriso. fecho-o de repente, como se quisesse fugir dos lugares aos quais me transportas. mas não consigo. primeiro espirro porque o pó que se fez nuvem me chegou às narinas e mo provocou. recostei-me no sofá e chorei. as lágrimas não se compadeceram do teu sorriso. e chorei. com quanto mais força fechava os olhos e vincava os pés de galinha no rosto com mais força as memórias chegavam. como se na estação de minuto a minuto chegasse uma, sempre cedo demais e sem deixar que a outra tivesse já partido. a doçura que emanavas do sorriso feria-me o coração e as gargalhadas que davas arrasavam-me a respiração que aceleravam o choro e não me deixavam sequer ter noção do que era expirar ou inspirar. nem contar até mil podia ajudar-me. e as fotografias, a paz que nelas oferecias e a mão que sempre tinhas para toda a gente em qualquer momento. e a paz? e a paz podre que ostentaste orgulhosa como se fosse uma rosa na lapela do casaco. e a paz podre que eu nunca entendi e os sorrisos que afinal eram choros miudínhos e eu nunca os encontrei. e os soluços que davas a conter o choro sempre que soltavas uma gargalhada. e tudo. e tudo aquilo que choraste sempre sozinha, na almofada, no chão, na cozinha ou até à minha frente enquanto rias. e eu cega. e hoje dói-me. hoje não consigo imaginar-te a sofrer sozinha. e hoje custam-me estas fotografias. esta paz podre que sempre foi tão mais fácil para todos os que te rodearam. não para ti. e tu és forte. e todos acham isso bom. não eu. não a segurar esta álbum de família sentada neste sofá que te viu chorar. e morrer. enquanto eu só te vi sorrir. nessa paz podre que te matou. e a mim, todos os dias mais um bocadinho.
Etiquetas: esquissos
o meu espaço é o teu espaço
assim que pedes licença deixo-te entrar. e a porta nem precisas de fechar. deixa-a assim, exactamente conforme a encontraste. a seguir a ti há-de haver sempre alguém. porque há. e aqui respiras. falas no tom de voz que queres. às vezes gritas. e mesmo quando me tentas tocar consegues. mais cedo ou mais tarde, no meu espaço que é o teu espaço, os nossos olhos cruzam-se mesmo que isso para mim não seja nada. ou seja tudo. mas não é fácil ser sempre recíproco. mas senta-te. recosta-te. vai ficando por aí. enquanto aí estiveres eu aqui estarei. e se saíres eu também acabo por ir, não por ti, mas porque a porta que deixaste aberta quando entraste convidou toda a gente a sair. convive aqui. como se neste espaço que é meu e também é o teu espaço fossemos tudo aquilo que quisessemos, tudo, ou só aquilo que somos, nada. mas entra: o meu espaço é o teu espaço.
Etiquetas: esquissos
28.7.07
a viagem
embarcas numa viagem sem destino. só mais esta. e perdes o norte quando o sul está mesmo ali e quase te morde. mas abres os braços e voas como se o vento soubesse mais que tu e o deserto em que te afogas fosse apenas uma miragem do mar que acabaste de deixar para trás. das costas. e de costas nadasses nas ruas mais escuras e mais vazias e mais negras. e corresses trilhos que se esvanecem mal os pisas. não deixas migalhas de pão porque de não voltar não tens medo. só de não ir. e saltas ideais em que acreditas mesmo que as ideias não tenhas. sorris no desespero e riste-te de ti como se o corpo que tens estivesse longe a observar-te o espírito. e corres. de ti. do desespero que ali encontraste. embarcas no vento que agora te puxa e na corrente que te afoga devagarinho. como se o destino da viagem que não pagaste tivesse chegado. e tu, sem sequer querer, avistasses o fim. de ti. e da viagem que no bilhete tinha o teu destino marcado na volta.
Etiquetas: esquissos
programa de festas para 30 dias de férias: os livros
há um ano que não leio um livro.
ontem ao olhar para a estante decidi-me por estes livros que, por razões diferentes, fazem todo um sentido.
* the melancholy death of oyster boy & other stories - tim burton
portanto, o primeiro foi presente do último aniversário. o livro é de uma edição deliciosa e lê-se tão depressa que até dá medo que acabe. não consigo resistir a não lê-lo. tinha de fazer parte do set literário para estas férias.
* a caverna - josé saramago
este livro em concreto foi uma compra de impulso, urgente, só porque sem saber descobri-o a dar autógrafos na feira do livro, diz assim: "para a sónia com a simpatia de josé saramago." é uma escolha literária-emocional.
* amar depois de amar-te - fátima lopes
a querida fátima lope surge também por um lado emocional. mas quase exclusivamente emocional. alguém o leu, lembrou-se de mim e ofereceu-mo no meu aniversário do ano anterior. escreveu uma dedicatória linda. já me perguntou se eu o li algumas vezes. está na altura de saldar dívidas.
* a inutilidade do sofrimento - maría jesús álava reyes
já tentei começá-lo, mas acho sempre que não tenho muita vontade daquilo ou paciência. mas fala de optimismo. eu sou optimista. mas proponho-me, mais uma vez, a agradecer presentes e a aprender mais sobre este frágil estado de espírito.
programa de festas para 30 dias de férias
a verdade é que ter um mês de férias foi uma imposição. nunca cometeria o suicídio mental de gastar quase todas as minhas férias de um ano num único mês e muito menos em Agosto. mas férias são férias.
é fácil, para que não vai ter umas férias a viajar o mês inteiro, acabar por aproveitá-los mal. digo eu. portanto, ontem em conversas sobre cinema decidi fazer uma espécie de to do list para estas férias.
assim, de repente, ando a dever qualquer coisa ao cinema e à literatura. portanto, vou fazer uma lista seleccionada e realista de livros para ler e filmes para ver.
seguem a seguir, por tema.
Etiquetas: férias
27.7.07
estou a uma hora ou duas
de ter um mês de férias.
há dois anos acabei o curso. quando acabei era uma jovem licenciado à procura de primeiro emprego. aceitei as férias. depois procurei emprego. depois fiz uma formação. arranjei um trabalho no porto. depois um em lisboa. depois fiquei desempregada. arranjei um voluntariado. e outro trabalho. e agora um curso. e...
só para dizer que há dois anos que não tenho férias.
que mereço o descanso. o ir com data para voltar. espírito mais leve. sol. praia. se lhe chamam férias é isso. mereço as férias. todinhas.
Etiquetas: quotidiano
26.7.07
quem sai aos seus
a minha sobrinha, aos dezasseis meses, já usa perfeitamente o número de vocábulos necessários à sobrevivência do sexo feminino no mundo: não e mais.
Etiquetas: ser tia é
quanto mais uso e reconheço o valor da internet
mais gosto de falar ao telefone em vez de mandar mensagens escritas. e de conversas cara-a-cara em vez de virtuais. o preço que se paga é irrisório atendendo às emoções, sejam elas quais forem, que um rosto ou uma voz nos revelam.
(a propósito de, mais, uma boa notícia ali para os lados da música)
Etiquetas: quotidiano
uma daquelas correntes às quais apetece fugir mas que hoje, só para justificar estar aqui às 2h30 da manhã, eu até respondo
1- Estás mais envolvido com o sarcasmo ou com a gentileza, na tua escrita de internet?
diria que não identifico aquilo que escrevo com nenhum dos dois adjectivos, mas admito que aquilo que escrevo há-de variar de tons e certamente passará por esses também.
2- Acreditas que os teus ideais políticos te definem?
não. acredito que aquilo que sou e aquilo em que acredito definem os meus ideais políticos.
3-Qual é o elemento essencial de uma relação?
costumo dizer que não tolero faltas de respeito, de educação e mentiras. portanto, acho que seja numa relação de amizade, amor ou outra, é importante as pessoas se respeitarem, basearem os seus laços na verdade e não esquecer a educação(zinha).
4-É difícil levantares-te de manhã?
sim. a menos que vá de viagem ou tenha algum motivo mesmo muito bom ou especial para o despertador tocar. normalmente defino o despertador para as 07h20 para o poder adiar para as 07h40 ou, em alternativa, vou adiando de cinco em cinco minutos a dor de meter o pé fora da cama.
5-Qual foi a última coisa mais bonita que viste?
uma estrela cadente e o sol acabadinho de nascer em porto côvo.
6-Por que sou tão medricas quando vou ao médico? E tenho tanto medo do amanhã?
não sou medricas quando vou ao médico. sou medricas quando vejo sangue. quando isso acontece a choradeira é quase certa e o pior pode acontecer (ahah).
e não tenho medo do amanhã. acho que cada dia novo é realmente um novo dia, uma nova oportunidade. tenho medo é de não estar cá amanhã. ou eu, ou alguma das pessoas que gosto.
7- Se pudesses conhecer alguém que não conheces quem seria?
podia dar uma resposta diferente, mas assim de repente: José Saramago, Pedro Paixão, Miguel Esteves Cardoso e José Luís Peixoto.
8- É fácil gostar-se de ti?
pergunta difícil. depende muito das circunstâncias. por norma sou uma pessoa bastante sociável, sorridente e faladora, nessas alturas é fácil simpatizar-se comigo. por outro lado, há alturas em que me fecho um bocado aos outros e aí acredito que não conquiste muitas plateias.
posso não passar a ninguém? posso? posso?
acabada de chegar do Babel
numa só noite: um belo filme e mais uma belíssima banda sonora de gustavo santaollala.
ai, que bom.
Etiquetas: filmes
a lição que tive sobre cedilhas
depois do jantar do meu aniversário em amena conversa entre amigos e sentada numas escadas do bairro da bica soube-me, como quem diz valeu-me, pela vida. mesmo quando me engano, percebo-o antes de terminar a palavra e corro, de costas e apressadamente, para o corrigir.
Etiquetas: quotidiano
em jeito de viagem no tempo ou regresso ao passado
comprei um lápis de carvão número 2 da staedtler. daqueles que usava na escola, quase desde que me lembro de comprar lápis. e troquei-o pelas esferográficas. um mimo. é só o que digo.
Etiquetas: quotidiano
22.7.07
22.07.2007
parabéns ao r. por um orgulhoso e lindo aninho.
estou aqui para te ver crescer. e crescer contigo, também.
Etiquetas: quotidiano
as coisas que se vive num dia longe da cidade em menos de vinte e quatro horas
ida para olhão decidida à última da hora. naquelas viagens que já não equacionamos e depois fazem parte da agenda.
ir a casa preparar as coisas. primeiro ponto de encontro pior-velho: carregar o carro e dar início à viagem. apanhar o terceiro elemento e partir. muita conversa, paragens, curiosidade pelo que nos esperava em olhão. a surpresas confirmou os piores receios mas valeu-me uma versão do jeff buckley - mojo pin - no sítio e concerto mais improvável do mundo. afinal, sim, mesmo ao fim dos tais dez concertos do mesmo amigo (única razão pela qual deixamos que se repita tantas vezes aquela actuação na minha vida!), somos capazes de ser surpreendidos.
desalento confirmado. entre arrumação de material e a troca de pequenos episódios e sensações daquele momento-para-esquecer a estadia no algarve é anulada. próxima paragem é alentejo: porto côvo. depois de muitas horas de condução, diria que umas três ou quatro, pelo ip1; paragem para ver o céu e a imensidão de estrelas que lá moravam nesse dia; direito a uma estrela cadente e um desejo; e conversas que variam entre assuntos recorrentes e curiosidades da física que refrescam conhecimentos e treinam o cérebro a raciocinar mesmo quando já acusa o cansaço das horas e da viagem, chegamos ao destino. 04h00. uma bifana, um sumo e batatas que a fome era mais que muita e só conhecia até então tostas mistas e bolo de aniversário. uma hora mais tarde tentar o sono no carro. no desconforto intrínseco a um carro pequeno de cinco lugares e a falta de sono de um dos três.
quase a amanhecer. e mal se passavam duas horas. busca do sítio perfeito para ver o nascer do sol. não vi. dormitei. mas quando decidi abrir os olhos vi o sol baixo. na beleza enorme da sua luz matinal. ida à padaria e pequeno-almoço num dos poucos, ou único, café aberto para o efeito. tentativa de descobrir a praia, que não tinha sol. respondendo à vontade de sol e descanso do corpo rumamos a sines. estendemos a única toalha que tínhamos, onde deitámos as cabeças e, alinhados, demos início ao processo. ainda trocámos a posição da toalha para fugir ao vento. e depois, durante duas horas, interrompidas por várias coisas, fomos dormindo, ali ao sol, vestidos, até com frio.
hora de rumar ao destino de um dos três. almoço na pequena localidade. conhecer um monte longe de tudo, fora do nada, e perceber o luxo que seria, para cada um de nós, ficar ali e não voltar à rotina e à confusão em que vivemos. um dos três fica. outros dois rumam a casa. mais conversa. muito sol no caminho. paragens. adiamento da sesta debaixo do chaparro para um dia destes. e a retrospectiva de tudo o que tinha sido feito e vivido naquelas menos de 24h. e sempre que falavamos sobre alguma das experiências desse dia dizemos sempre 'hoje'. e chegamos a casa quese à hora que saímos de lisboa no dia anterior.
balão de oxigénio. lavagem de alma. lufada de ar fresco. é tudo. é tudo isso. a aventura, o imprevisível, e a vontade de três meninos (da cidade) se perderem e viverem a natureza, a paz e a fuga a tudo aquilo com que não conseguem viver durante o ano. ou talvez sim. sem qualquer registo fotográfico. só no espírito. e na mente.
a repetir.
Etiquetas: viagens
19.7.07
long live dead combo
depois de me viciar no myspace desta dupla (brutal) não perdi a primeira oportunidade de os ver ao vivo. duas estreias absolutas e inesquecíveis: maxime's e dead combo.
17.03.2007 - Maxime's
e hoje, passados quatro meses: a oportunidade de os rever no lux. a qual eu não perdi.
18.07.2007 - Lux
ficam as duas únicas fotografias que tenho desses dias. tiradas pelo telemóvel: interessa só uma escassa imagem para marcar e recordar os dois momentos. basta-me.
e não me apetece escrever muito sobre os concertos. digo só que o primeiro é imbatível. que hoje, pela primeira vez, vi a cara do tó trips e o sorriso do pedro gonçalves. que a música deles tem um quê de génio. e o cenário em que actuam com o traje a rigor é, simplesmente, maravilhoso. lindos. os meninos.
palminhas.
Etiquetas: música
hoje faz dois anos que apresentei a minha tese de licenciatura
comunicação cultural.
17 valores.
senhora doutora.
três trabalhos. e um estágio (voluntário).
desempregada.
curso financiado.
Etiquetas: quotidiano
17.7.07
o projecto que ainda não tem nome mas já é um projecto
a literatura e a fotografia de mãos dadas, pelos dedos e olhos de duas boas amigas com vontade de o concretizar. e não é preciso mais nada. só tempo. mas isso pode-se sempre pedir emprestado. à vontade.
reunião de projecto no próximo sábado na praia grande: com sol, mar e biquinis. coisa séria, portanto. mas só o suficiente.
Etiquetas: o projecto
sem senso nem sentido
pus demasiado creme nas mãos. ainda não percebi se foi do exfoliante se foi do creme. mas ficaram gordurentas. há horas que estão assim. mas também não fiz nada para lhes contrariar o processo de absorção das propriedades que farão delas melhores mãos. pelo menos mais macias. vesti o pijama e percebi que tenho dois pijamas a uso: um de calças e mangas compridas com pinguins e um de calções e manga curta com um cão, optei por este último. mas não pelo cão. na internet continuo a descobrir bons blogues e a devorar arquivos, como nos bons velhos tempos. ver as outras pessoas escrever e criar inspira-me, dá-me vontade de vir para aqui e debitar todas as merdices que me vierem à cabeça, sem qualquer interesse para ninguém: nem para mim nem para vocês. mas agora estou a ouvir música. no meu computador já não há mp3 e preciso de música para amanhã, na corrida diária no comboio até ao areeiro e depois entre o areeiro e a praça do chile e daí ao martim moniz e no regresso também. acho que ainda não é suficiente. vou ter recorrer aos cd's. aos vinte e tal cd's novos que me emprestaram, os quais ainda nem desvendei decentemente. e muito menos indecentemente. simplesmente mal lhes tenho tocado. e agora lembrei-me de algo com interesse para escrever no próximo post: parece-me óptima razão para findar este. até já.
15.7.07
do que ficou por contar há precisamente uma semana atrás
o ingresso era para a música. na tasca. mas de tudo o que nesse dia se passou fica a memória do filme. mesmo que o cenário fosse todo ele desajeitado. de outros tempos. a tela era de pele e osso. ao vivo e a cores. em directo. e os espectadores, ali, sentados numa sala de outros tempos, à espera, sem que lhes faltasse a paciência ou os diálogos e amizade possíveis para uma sala escura e um protagonista (in)disposto.
incrível, diria.
Etiquetas: quotidiano
13.7.07
domingo de manhã
quarenta anos depois.
o domingo da nico - perdoem-me os the velvet underground - é o meu domingo preferido. é melancólico e nostálgico como muito facilmente podem ser todos os domingos. mas é, também, infantil como poucos poderiam ser nas mesmas circunstâncias. os lençóis em que acorda são de algodão e brancos. e o pijama é pele. como se acordasse sozinho depois de se ter adormecido acompanhado. a almofada é um abraço confortante na sensualidade da voz que acabou de acordar. domingo de manhã. a ser tomado, sem restrições, todos os dias da semana.
sunday morning
Sunday morning
Brings the dawn in
It's just a restless feeling by my side
Early dawning
Sunday morning
It's just the wasted years so close behind
Watch out the world's behind you
There's always someone around you who will call
It's nothing at all
Sunday morning
And I'm falling
I've got a feeling I don't want to know
Early dawning
Sunday morning
It's all the streets you crossed, not so long ago
Watch out the world's behind you
There's always someone around you who will call
It's nothing at all
Sunday morning
Sunday morning
Sunday morning
the velvet undergroung & nico
Etiquetas: música
rescaldo físico da semana
montes da praia da adraga quase até ao cabo da roca em pleno domingo. passeio com mazelas físicas, claro está. mas com a alma cheia de natureza e fotografias visuais. de areia com roupa vestida e de pés molhados com calças à pescador.
e dois dias com duas corridas e dois circuitos diferentes. finalmente, com companhia.
e é tão bom rir e sentir os músculos doridos :)
Etiquetas: quotidiano
em formato de postal de aniversário chegado pela mão do carteiro
Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.
Chaplin
Etiquetas: introspecção
7.7.07
rodrigo leão & cinema ensemble [07.07.2007]
é esta a minha relação com rodrigo leão. faço vénias às suas composições, porque são de uma qualidade extrema; faço vénias à sua humildade e à forma como, vestido de negro - ora a revelar a ausência de gosto pela ausência de cor e assim um certo descomprometimento; ora a revelar o melhor dos gostos pela silhueta elegante ao qual tal traje o condena -, emana a genialidade da sua música. diria brilhante.
Etiquetas: música
6.7.07
e por falar em música faltava um pequeno excerto do concerto do fim-de-semana passado (na invicta)
havia um músico sentado num banco que oscilava nas suas canções uma guitarra acústica (semi) e uma eléctrica. havia calor humano, não tanto pela transpiração que provocaria uma sala cheia, mas pela cumplicidade, diálogos familiares, fotografias a jeito e sorrisos que revelavam a descoberta daquelas canções, pela plateia. vou assumir que foi mesmo o melhor concerto. as guitarras revelaram-se perfeitas: como se as músicas fossem, pela mão do artista, aquilo que ele quisesse. Não o contrário. como se na palavra, mesmo as faladas, nunca falhasse, não fizesse o carisma parte do espectáculo, ainda que tão natural. a voz foi perfeita. E os aplausos sinceros.
e lembro-me sempre que nenhum concerto foi como aquele e que mais ninguém viu. por isso não me apetecem fórmulas. hoje chega-me só aquilo. e perto daquilo todos os números seriam desastrosos.
Etiquetas: música
5.7.07
bajofondo tango club
no dia em que os “diários de che” passaram na televisão ainda me sentei na cadeira dura da cozinha, como se estivesse de castigo, e assisti aos primeiros minutos da história. não tanto pela cadeira, que como já disse era dura, mas desisti de ver o filme. desliguei a televisão e fui para o quarto. tudo naquele filme me fazia viajar e custou-me acompanhar de sorriso rasgado e asas abertas uma viagem emprestada.
no dia seguinte sugerem-me a banda sonora. que eu ia gostar. digo que só poderia gostar. absorvia-a, incessantemente, daqui até ter o álbum completo no mp3. Gustavo Santaollala foi declarado, então, a minha companhia oficial de viagem, mesmo que a viagem fosse apenas entre os arredores e Lisboa, de comboio. no fundo, parecia que descobríamos juntos a américa latina de acelera, tal era a intensidade com que as suas notas me puxavam e convenciam (confesso que não seria preciso esforço sequer) a sair dali, enquanto fora da janela apenas se viam as torres de betão coloridas onde agora vivemos.
quatro meses depois, de surpresa, descubro que Gustavo Santaollala e o seu Bajofondo Tango Club vêm a Portugal. A ida ao Garage era inevitável. e sem arrependimentos, mesmo apesar de dos "diários de che" ter saído uma única música. o espectáculo que deram compensou esse facto que às tantas ficou esquecido.
óptimo concerto: músicos e conjugação de instrumentos fantástica. dinamismo de palco excelente. talento. calor humano em constante circulação entre o palco e a plateia. cem a bater palmas por mil. pulos. saltos. dança. contagiante. viciante.
bravo! (e mais palmas)
e o Martin é muita giro. pronto, já disse.
Etiquetas: música
4.7.07
sem título 3
solta as amarras que te ferem os pulsos e te prendem a esse chão mais vazio que sujo. e frio. desprende o teu corpo dessa cama pequena e essas paredes que só contam histórias malditas. desditas. não ditas. desta vida e de muitas outras. grita alto daí de longe, mesmo que aqui não te oiça. faz-te sentir. é aqui que sinto a tua falta.
enxuga a alma e acomoda-a debaixo do braço, como se ela fosse sempre contigo para todo o lado. no amor e na doença. e na loucura do pecado. sujeita-te aos teus passos sob a pena que serve de exemplo. não estás sozinho. mesmo que longe. peco contigo todos os dias. e por ti solto as amarras que te ferem. os pulsos. eu e todos aqueles que daqui de longe gritam por ti. pecamos contigo. mesmo que ninguém nunca saiba. a minha pena é a tua pena.
Etiquetas: esquissos
sem título 2
apaguei dos traços que desenhaste nos meus braços a história que assim nos fez. e do fundo profundo do ser que sou varri a vaidade, o amor e suor que aqui um dia morou. sacudi à janela da alma, que todos julgam os meus olhos, a saliva que à deriva aqui se afundou. tranquei os poros aos odores e abri os braços sem pudores, por outras histórias, por outros amores. a minha língua ainda sente nos lábios o sal do mar que aqui me trouxe. desenhei na areia o regresso, sem medo, de um corpo de cor. arranquei da pele arranhada o tudo que depressa se fez nada.
Etiquetas: esquissos

