foi mais eficaz que qualquer medicação a ser tomana pelo menos três vezes ao dia. twin peaks foi ingerido ao longo dos dias, conforme a disponibilidade e a vontade. e assim estamos, ao terceiro dia dou por terminada a primeira série e estou prestes a, depois de tanto mistério e um enrede fantástico sobre a sua morte, conhecer laura palmer na longa metragem os últimos sete dias de laura palmer. e mal posso esperar.
desconfio que vou ficar com o síndrome de muitos, à espera que saia finalmente a segunda série em dvd. e à semelhança de outras séries, com a diferença que esta foi a primeira que vi em dvd e ainda por cima de rajada em três dias, vou sentir falta de toda esta gentinha delirante e destas histórias racambulescas de detalhes apetitosos e alucinantes que mark frost e david lynch nos deixaram.
então até daqui a cento e vinte e nove minutos.
31.8.07
twin peaks (3)
Etiquetas: séries
sem título 1 (v.0)
podia ter sido eu a dizer que sim
é o fim
ter dito basta quando nada mais restava que não fosses tu e eu
sem mais nada
sem nada mais que desse vida às mãos
fugidas e escondidas
sujas da terra que escavámos a tentar encontrar-nos
buracos perdidos
de onde nunca saímos
apágamos cigarros na pele
em palavras que voavam
à velocidade da luz
pela língua veloz
cruel
por maldade
tortura
continuámos a acendê-los
pelo prazer de os apagar
de sofrer
e mesmo a doer
ter o estranho prazer
de dizer que era amor
o mar de beatas em que nos afundámos
chorámos
perdemos a luz
definhámos
apodrecemos
a rir e a chorar
morremos
e hoje acabou
hoje digo-te que sim
assim
que é o fim
Etiquetas: esquissos
das viagens que não faço
mas que vou fazer.
compro guias: madrid, barcelona e praga.
Etiquetas: quotidiano, viagens
sobre as coisas materiais
tenho de confessar, sem ter percebido ainda se é bom ou não, que a minha relação com as coisas materiais é sempre igual. quer dizer, tenho uma tendência, diria feminina e intrínseca, para o caro e gosto de coisas caras e se não tenho é porque não posso, porque há sempre alguma coisa que justica aquele preço: o corte, o estilo, a cor. é diferente. e se é psicológico como o frio, tenho pena, mas quando o meu corpinho se sente destapado ou os meus olhos já bajularam o trapo ou o que quer que seja, não consigo ser eu a convencê-lo do contrário. nestes casos, só a carteira mesmo.
mas interessante, e noto isso com tudo, inclusivé com os meus óculos de sol novos, lindos e caros que convidei a minha madrinha a oferecer-me, que os trato como se fossem baratos. não os estimo mais pelo preço, estimo as coisas pelo prazer do gosto, quero, é lindo.
assim de repente, quem lê, pode disparar um qualquer 'não dá valor às coisas', a mim ocorre-me concordar, mas como se as coisas valessem pelo significado que têm e como as vejo e não pelo preço que custaram. não as compro para as exibir nem é isso que me leva a comprá-las. e assim, acho que sou uma materialista descomprometida, lamechas, diria.
Etiquetas: introspecção
30.8.07
a senhora do monte
centésimo post
às vezes não consigo explicar, e se me explicar vou-me repetir porque só sei explicar de uma maneira, a força que este lugar tem para mim. a paisagem. lisboa. subo à graça de carro como que ansiar um abraço, como se fosse possível chegar lá acima e abarcar toda a cidade nos meus braços. ou então deixar que ela me engula. me sorva. ou me deixe planar sobre ela.
é ali que volto, inevitavelmente, quando o mundo conspira contra mim. é ali que percebo a minha insignificância. e a imensidão de uma cidade. a cidade de lisboa. que apetece comer com os olhos, engoli-la de uma vez só num gesto de completa avareza. e é ali que percebo que a vida continua, todos os dias e dia após dia, e que aconteça o que acontecer eu vou ter sempre onde voltar. sim, para perceber que depois de um dia, um outro nasce.
a fotografia foi tirada de improviso pelo telemóvel.
Sofia, ao descer da graça pelo castelo fiquei com uma vontade terrível de palmilhar aqueles bairros e sugá-los com todos os meus sentidos. estão à nossa espera. juro.
Etiquetas: quotidiano
podia-me dar para coisas piores, mas hoje deu-me para isto, desculpem lá
é definitivo. quando alguém que está desempregado, tem qualificação superior e teima em procurar emprego na sua área de formação diz: isto está muito mau. então, amigos, é porque está muito mau.
ninguém me manda escolher a cultura: burra, eu sou burra. mas agora não há nada a fazer, eu gosto daquilo e percebi-o nas experiências que tive em que não recebia tostão furado. não me apetece carreira de fato e gravata, nem multinacionais cheias de dinheiro, nem progressão na carreira nem nada. pronto, agora sou assim. abdiquei, por ora, de todas essas coisas em troca de ter o prazer de fazer aquilo que gosto onde mais gosto.
vai daí, dada a escolha, a carreira tem sido a modos que atribulada. para ser sincera, vá sentem-se eu espero, não há carreira. não há carreira desde que terminei um curso que custou aos meus pais os olhos da cara, e mais houvessem. há várias experiências profissionais que assim bem enxaixadinhas são bonitas, é bonito vê-las assim próximas, até parecem fazer sentido, fizeram-me aprender, crescer e ter experiência em coisas que gosto. é certo que falar de dinheiro associado a essas experiências seria um desastre e estragaria todo o cenário, mas há o currículo. o tal. e sim, tudo aquilo que eu aprendi.
então começo a projectar o futuro: envio aquela folha-branca-que-quer-impressionar e nada. não há cá boas impressões. há poucas e devem-se ocupar de outras maneiras. e começo a pensar: em janeiro já não há cursos nem estágios financiados, e depois? até janeiro tenho hipótese de apostar nos sonhos e insistir, não ceder à pressão do dinheiro, e procurar. mas depois disso acabou-se. e isso deixa-me triste, deve ser este tipo de coisas que nos torna adultos: abdicar dos sonhos para ter dinheiro para comprar um carro ou sair da casa dos papás. se é, temo declarar-me adulta, deprime-me achar que vou fazer uma coisa que não gosto só para ter dinheiro. não consigo fazer trabalhos estúpidos nem insignificantes, nem que não me estimulem intelectual ou socialmente. oito horas são muitas horas para se engolir em seco. seis meses são muitos meses para se engolir em seco e ter direito a meia dúzia de dias de férias. e saber que se vai regressar.
pronto, vêem? já estou a ficar deprimida. é aqui que começo a viajar. começo a imaginar um país bonito para viver, um clima (relativamente) ameno, sítios de empregos no estrageiro e pensar seriamente em emigrar. já o equacionei várias vezes e acabo sempre por ter uma estrelinha que me arranja uma coisa qualquer boa e no tempo certo e me faz ficar. para além da vontade que não tenho em partir assim sozinha, para longe, e sozinha, não sei se já disse.
barcelona e amesterdão, são os meninos dos meus olhos.
mas agora é tempo. tenho quatro meses. cento e vinte dias para fazer a minha vida acontecer, aqui ou onde quer que seja. já não posso continuar a contar tostões ou a depender invariavelmente, embora pouco, dos papás a partir dessa altura. não posso ter vinte e seis anos e não ter um emprego. ou nunca ter tido um contrato de trabalho na minha vida pós-licenciada. não posso continuar a fingir que os anos não passam e que na minha vida esse dinheiro que não ganho não me vai fazer falta. e vai fazendo.
e é por isso que estou prearada para, depois de um mês de férias, voltar em força. para ver o país acordar das férias e eu achar que a partir de então a minha vida poderá acontecer. para mim. diante dos meus olhos. ela e os meus sonhos.
Etiquetas: emprego
e já que falamos de blogues
há uma coisa que me agrada muito nos computadores e nesta história dos blogues: os comandos todos disponíveis e prontos a ser usados por nossa exclusiva vontade e bel-prazer.
ora queres apagar? e mudar de nome? e as cores, já não gostas destas? queres meter ali um linque para o blogue do teu amigo? e já não é teu amigo e queres tirar? e podes apagar tudo e voltar a escrever só quanto de apetecer? então é isso mesmo, força.
é por essa razão que já vou no quarto blogue. por isso e porque sou uma lemechas incurável. porque quando crio um espaço lhe dou personalidade e quando lhe dou um nome é por alguma razão. um sentido. e os sentidos na vida mudam. não me limito a escolher uma parede branca e escrever tudo quanto me apetece. há um dia que olho para ela e penso: hoje é dia de mudar, não me apatece nem gosto de nada disto! e assim é: abro um post e digo: fim. e depois abro a página aqui do amigo e crio outra à minha maneira: espaçoso, arejado e que seja capaz de albergar todos os meus novos sonhos. é por isso que vou no quarto blogue. porque acredito que querer mudar é querer melhor e esse espírito de quem vai conseguir é uma coisa que me persegue.
e na vida nem sempre é fácil. mas aqui é. e se aqui é porque é que eu não posso ter quatro blogues? há pessoas que me lêem desde os primórdios, quando eu era ingénua e apaixonada e não fazia ideia que a blogosfera era um mundo. há outras que apanharam no lado bê da vida, quando se acha que se morreu e afinal se abre um novo mundo. ainda há outros que me apanharam desesperada a tentar realizar sonhos, me acompanharam na minha viagem ao porto e no meu regresso a lisboa. agora sou assim, estou aqui metida numa maturidade e paz que desconhecia, a viver para mim: eu, o meu umbigo e o mundo. mas nunca deixei de ser eu, só cresci, e levei comigo mudanças de sítios na internet, casas que fui deixando ora porque já não me chegavam, ora porque faziam parte do passado. e o passado já só interessa o necessário, pois está claro.
é assim. é isto. podia dizer que já ía no quarto casamento, mas não. falta-me idade e paciência para isso. mas já mudei várias vezes de trabalho. já mudei de cidade num espaço de cinco meses e vivi em três casas diferentes à custa dessa história. já achei que podia ser independente e levei o enxoval e já voltei com ele para o sítio de origem. não é só a vontade de mudar é a vontade de ser melhor, ter melhor e ser mais feliz. e quanto mais mudanças conheço mais acredito nelas.
e é só.
Etiquetas: blogues, introspecção
e os vencedores são...

a minha querida amiga Sofia atribuiu-me o blogging community involvement award que eu muito agradeço, afinal é o meu primeiro prémio na blogosfera - ai c'orgulho ;)
Agora, segundo as regras, cabe-me a mim atribuir cinco prémios.
E vão eles para:
dias assim
ninguém diria
e-motions
she is all that
ter um blog é gay
porque por detrás de cada um deles, à excepção do último que veio de fora para dentro, há uma amizade que começou na blogosfera, mas que já não cabe aqui há muito tempo :)
muito obrigada a todos...
... e parabéns!
Etiquetas: blogues
twin peaks (2)
episódio piloto e primeiro episódio.
diria que pouco em jeito de lembrança, lembro-me vagamente da série, daquela música envolvente e intrigante que se nos assalta e da laura palmer, de resto não há excertos, até agora, que me pareçam familiares. era de facto muito nova quando aquilo passou na televisão. isto para dizer que, no fundo, é toda uma nova aventura. e estou a adorar.
Etiquetas: séries
29.8.07
as viagens constantes ao nimas terminaram (e com elas as minhas férias)
o ciclo dos melhores filmes estreados entre junho de 2006 e junho de 2007 repostos pelo nimas deve acabar daqui a minutos com o inland empire, do lynch: é este um dos principais indícios de que as minhas férias estão a terminar. afinal, foi esta a única agenda que consultei e segui durante todas as minhas férias.
Etiquetas: férias
é mesmo isto, mas é que é mesmo isto
se "o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença" (1). como se o contrário de dar tudo fosse mesmo não dar nada. e o de sentir tudo fosse igualmente nada sentir. o ódio seria já sentir alguma coisa e ter um trabalho que a indiferença não permite, não tem vontade. ou então não ter absolutamente nada para dar, por já ter dado tudo.
é mesmo isto que eu penso. e (não) sinto.
indiferença.
(1) frase de érico veríssimo.
Etiquetas: introspecção
eu quero mesmo é um emprego mas enquanto não tenho preciso mesmo é de um estágio (4)
saldo: 6/8
Etiquetas: o estágio
rebelde (mas) com causa
a idade, mas principalmente aquilo que a vida me ensinou e me fez sentir na pele, trouxe-me o bom senso e levou-me o excesso de rebeldia ou a rebeldia despropositada, talvez demasiado ingénua. se antes tudo para mim era uma luta que eu travava até ao fim agora já não. já não tento mudar as pessoas que não querem mudar, embora às vezes, muito às vezes, ainda o faça; já não invento causas perdidas para lutar; nem discuto com pessoas que não o sabem fazer ou por assuntos muito pouco merecedores do meu tédio e da minha paciência. sim, também sou mais paciente. e para além de ser optimista por natureza, começei a a usar cada vez mais o humor para analisar o que me rodeia.
no fundo, começei a encontrar um certo equilíbrio entre as palavras gastas, o esforço e as vitórias pessoais. e é aí que reside grande parte da minha paz interior.
mas continuo a sonhar e a crer: luto pelas coisas em que acredito e que valem realmente a pena.
Etiquetas: introspecção
28.8.07
(re)encontro-despedida
em menos de uma semana é a segunda vez que me vou deslocar ao aeroporto: sem bagagens nem bilhete para lado algum.
rever amigos ao dia da sua partida é estranho. é como tudo tivesse um limite muito pequeno, um prazo que acaba em horas, à hora do embarque. um encontro-despedida - um olá, adeus - que remete tudo o que lhe faltar até ao natal, ou então até para o ano.
e sei que depois disso regresso a casa. faço a segunda circular e oiço música. afinal volto a ficar cá. o caminho é o do costume, mas o céu não, o céu tem sempre outro encanto.
Etiquetas: quotidiano
27.8.07
still life, natureza morta
a minha estreia, ontem, no cinema chinês: a crueza das detalhes despidos de acessórios revelam um cenário realista. a nudez aplica-se também aos diálogos e à construção das personagens. aos seus caminhos.
sob o cenário da construção da barragem das três gargantas: duas histórias. duas pessoas que procuram a sua cara-metade numa viagem decisiva para o amor.
Etiquetas: filmes
joanna newsom
comecei por descobrir esta menina e a sua harpa com peach, plum, pear e o excerto que me apaixonou:
And I have read the right book
To interpret your look
You were knocking me down
With the palm of your eye
mas descobrir todas as suas outras músicas tem sido tão revelador quanto as letras que canta e que parecem histórias. bonito.
sprout and the bean
Etiquetas: música
vou andar de transportes sem leitor de mp3
adivinham-se minutos em formas de horas. e paisagens sem som.
(e o leitor a passear-se pelo algarve, facto que patrocinei num ímpeto de atruísmo fraterno).
Etiquetas: quotidiano
mais um passo
não posso dizer que seja o primeiro, porque não é. os primeiros, dias digo, passaram-se a passeio na baixa de lisboa, no comboio a caminho de casa e com lanches tão deliciosos quanto calóricos.
mas hoje há mais um passo. ou poderei dizer mais um primeiro dia? talvez todos, antes das viagens propriamente ditas, sejam primeiros dias. e cada viagem também. a ansiedade começa a a fazer parte de guião. ali, cada vez mais perto. o projecto. ainda sem nome. ou melhor dizer mesmo: o projecto ainda sem nome.
Etiquetas: o projecto
26.8.07
em ressaca pós-concerto
um concerto que concentra a atenção de várias pessoas num só dia. por um só dia. e também por amigo especial que está prestes a partir.
e da plateia assiste-se a um concerto brutal que faz com que tudo valha a pena. e querer mais também. tanta gente! afinal houve mesmo muita gente. houve amizade. a de sempre e diálogos perdidos na multidão. houve sorrisos e alegria. e um brinde com alabastro nas escadas com copos de plástico.
e depois, já a madrugada descia sob a cidade de lisboa: as últimas gargalhadas, as últimas conversas e um abraço. aquele abraço.
há dias felizes.
Etiquetas: quotidiano
"deixa-me ouvir qual o silêncio que há a seguir a tu cantares"
Cessa o teu canto!
Cessa, que, enquanto
O ouvi, ouvia
Uma outra voz
Como que vindo
Nos interstícios
Do brando encanto
Com que o teu canto
Vinha até nós.
Ouvir-te e ouvia-a
No mesmo tempo
E diferentes
Juntas a cantar.
E a melodia
Que não havia,
Se agora a lembro,
Faz- me chorar.
Foi tua voz encantamento
Que, sem querer,
Nesse momento
Vago acordou
Um ser qualquer
Alheio a nós
Que nos falou?
Não sei!Não cantes!
Deixa-me ouvir
Qual o silêncio
Que há a seguir
A tu cantares!
(...)
Fernando Pessoa
24.8.07
esqueci-me do aniversário do meu primeiro sobrinho emprestado
ou auto-penitência.
isto leva-me ao limite da minha memória. com esta idade já há os aniversários dos pais, irmãos, tios, avós, primos e sobrinhos, dos amigos e dos namorados dos amigos. e dos filhos dos amigos, os ditos sobrinhos emprestados. e os dos amigos novos que vão chegando.
é muito aniversário ou é impressão minha?
Etiquetas: introspecção
23.8.07
eu quero mesmo é um emprego mas enquanto não tenho preciso mesmo é de um estágio (3)
saldo: 5/8
Etiquetas: o estágio
22.8.07
eu quero mesmo é um emprego mas enquanto não tenho preciso mesmo é de um estágio (2)
quatro respostas negativas.
saldo: 4/8
Etiquetas: o estágio
21.8.07
20.8.07
o medo de voar.
do luís g.
se as asas que guardas na algibeira onde os sonhos que tinhas as levaram para onde um dia quiseste estar sem saber e acreditar que o céu que te abriga é o que te atraca à terra e a raíz que te prende é o nervo que rói e parte a linha que te leva e conduz a outro lugar, voa. estende os braços e plana como quem se passeia e sorri como se debaixo de ti fosse tudo aquilo que julgavas maior. e sonha. fecha os olhos e cerra os dentes, como os punhos, e grita que ali és maior que tudo onde todos têm medo de estar. e voa.
Etiquetas: esquissos
mini-reflexão sobre o cinema e eu
nunca fui uma cinéfila incurável, mas também nunca deixei de ver bons filmes por isso. já percebi que adoro dvd's. nunca sei bem que filmes estão em cartaz e é fácil perdê-los, mesmo que ache que são imperdíveis. por outro lado adoro quando tenho sessões de dvd's: não sei quantos dias a ver não sei quantos filmes, porque me emprestam e eu posso escolher só os que gosto, independentemente do mês ou ano em que estrearam. é um facto que não discuto esses filmes quando são a actualidade, mas se forem bons, quando os vejo não deixam de ser assunto.
é isso, não sou mesmo viciada em cinema na perspectiva da urgência da sala de cinema e do filme que estreou, mas sim de ver o filme, independentemente do espaço onde o vejo. gosto de cinema, mas não exclusivamente do cinema na sala de cinema na data de estreia ou no mês em que está em cartaz. mas posso dizer que adoro cinema.
é isso que gosto nas reposições do nimas e me levam tantas vezes ao cinema: é que os melhores estão todos expostos, assim, como se fosse no clube de vídeo; o preço é quase igual; o horário é quase escolher e pode-se ver uma data de filmes excelentes na mesma semana ou no mesmo mês. assim de empreitada. como quando me emprestam uma data de dvd's que eu escolho a dedo. é isso: é ver só o que é bom concentrado num par de mês rigorosamente planeados, sem ter de estar atenta às estreias e aos horários e às salas onde estão em cartaz.
e para comprovar fica de registo que as minhas duas últimas idas ao cinema para ver filmes em estreia e em cartaz, fresquinhos, foram o shrek e os simpsons. aqui está que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. tenho dito.
Etiquetas: introspecção
mais um regresso
um fim-de-semana pela ericeira. antes de ter tempo de acertar sonos ainda na ressaca de paredes de coura parti para a ericeira. programa de miúdas com conversa de miúdas, coisas que cada vez é mais rara na minha vida. talvez por isso me saiba tão bem que, para variar, às vezes faça coisas assim exclusivamente femininas. sol, conversa, praia, conversa, convívios, conversa, dormir, conversa, comer, conversa e conversa. há lá coisa melhor.
e agora espera-me o filme e a primeira série do twin peaks entre outros dvd's interessantes; vários cd's que trouxe emprestados do primo: boa música para conhecer ou, simplesmente, recordar; as reposições dos filmes do ano passado no nimas que já me fizeram, estranhamente, falta em paredes de coura; o início d' o projecto ainda sem nome; e aprender a tocar guitarra.
e depois as obrigações, claro está.
Etiquetas: férias
16.8.07
programa de festas para 30 dias de férias: os livros (2)
a minha mãe já está a ler, por acaso, o segundo livro da minha selecção de livros para ler nas férias. eu ainda não peguei em nenhum.
shame on me.
dez considerações pós-festival
1) não me falem de acampar nos próximos tempos ou tudo o que envolva as palavras: tenda, saco-cama e colchão insufável;
2) a facilidade com que digo asneiras aumentou exponencialmente;
3) não ingeri uma gota de álcool;
4) arrasei com a minha dieta;
5) saltei num concerto como já não fazia há anos (obrigada sonic youth);
6) descobri que o rock se me anda a entranhar pelos poros, até pelos mais pequenos;
7) já não convivia com tanta malta de dezoito anos desde que entrei para a faculdade;
8) alguém me deu 20 anos;
9) outro alguém deu-me 22 anos;
10) percebi que já não tinha nenhuma dessas idades quando me perguntavam: 'que curso estás a tirar?'.
tudo isto considerado com humor e de sorriso na cara...
paredes de coura - o regresso
a espécie-de-safari-musicado foi uma surpresa a vários níveis. não sendo eu uma festivaleira nem uma campista convicta o desafio é sempre grande. a óptima experiência do sudoeste e alguns argumentos amigos foram suficientes para que embarcasse nesta aventura decidida a ter uns dias no meio do nada, onde o vento dá a curva e sobem ao palco nomes que, embora não muito sonantes no meu dia-a-dia, movimentam também eles milhares de pessoas aquele lugar. talvez esteja enganada, é muito mais que um cartaz que leva ali tanta gente e, também por isso, me achei capaz de envergar a camisola festival paredes de coura e rumar ao norte de tenda e colchão debaixo do braço.
entre visitas a paredes de coura, depois da tal íngreme subida que, ainda assim, não é suficiente para demover quem procura comida, banho ou apenas do que fazer, há um outro mundo quase tão pequeno como o primeiro. mas de um lado temos o acampamento e no outro a civilização. ainda que, às tantas, ambas se fundam numa mescla que, embora decifrável, passe a conviver perfeitamente no mesmo espaço, ao mesmo tempo.
houve passeios em paredes de coura. animação. houve cinema: glastonbury e the pixies - loudQuietloud. houve banho gelado no acampamento, houve banho nos balneários da piscina municipal. houve compras no ecomarché e meloa docinha e atum com feijão frade ao almoço. houve uma fuga forçada pela chuva, uma noite dormida em vila nova de famalicão a recordar dias bons e momentos que se seguiram a laços que se romperam pela distância, mas que a amizade que os uniu os volta juntar em algumas ocasiões. houve noites em branco e dias muito pouco e mal dormidos: infelizmente, não pela diversão ou efeitos de álcool. houve tempos mortos. houve paz. natureza. houve pouco chinelo no pé e biquinis e muito frio. e poucas gargalhadas mas boa música.
ficam os meus destaques para devotchka, sparta, new young pony club, babyshambles, cansei de ser sexy e sonic youth.
e a única fotografia (in)decente.
10.8.07
paredes de coura
aqui vou eu.
(agora tenho poucas palavras, mas creio que quando voltar tenho muitas, muitas mais)
9.8.07
o baloiço
o baloiço range. mesmo com o pouco balanço que lhe dou ele range devagarinho. a falta de óleo, ou então só a velhice, fazem-no balouçar-me vagarosa e pesarosamente, como se acompanhassem, numa sintonia que se revela, assim, perfeita, os pensamentos que me levaram ali. olhos os sapatos já cheios de pó, da areia onde antes do sol se por os meninos brincaram, sujaram as mãos e fizeram bolinhos de chocolate, com a ajuda da água do chafariz. se fechar os olhos lembro-me dos lanches ali no parque. dos bolos que cozinhei com os meus amiguinhos e das vezes que ou caía no baloiço ou a caminho dele. não me lembro de chorar. levantava-me, sacudia as mãos e ía brincar outra vez, como se nada me demovesse o caminho que estava decidida a tomar. foi essa força, ou na busca dessa força que voltei aqui muitas vezes. mesmo depois de não ter idade para andar neste baloiço que continua a ranger e de brincar sentada na areia.
hoje, ja vinte e cinco anos mais tarde essas quedas levam-me ao choro. como se fosse um lugar onde nunca me tivesse permitido estar e que hoje, refastelada, o gozasse na sua plenitude. mas acho que não é isso. a sinceridade obriga-me a dizer que, a dor que se espelha agora em formas de água salgada, é a força de outros tempos que procuro. o acreditar que bolinhos de terra eram bolos de chocolate, que andar de baloiço era ver os meninos lá de cima, ter quase asas e poder voar e rir, porque o friozinho que às vezes sentia na barriga fazia cócegas e fazia-me rir. rir.
a areia que agora me encarde os sapatos esconde os sonhos que aqui fui escondendo ao longo dos anos. sentada no mesmo baloiço de outrora fui enterrando, em rituais penosos e dolorosos, cada sonho que perdi depois de já não encontrar a força que devo ter deixado em qualquer lado. chorei-os, os sonhos, e fiz-lhes luto nos dias seguintes. só eu, sozinha. é, portanto, aqui que estão todos os meus sonhos: foi neste baloiço que cresceram e foi deste baloiço que os enterrei a, quase, todos, um a um. é quase uma maternidade e um cemitério de sonhos. mas sobretudo onde jaz muito tempo. todo o meu tempo.
e por momentos deixou de pensar. as memórias e os sonhos e o tempo jaziam todos ali. num silêncio onde apenas havia lugar para o ranger do baloiço que atormentava o sono da fauna citadina, ali em pleno coração de Lisboa. chorou. chorou com pena de si mesma. do baloiço já não deslizar o seu corpo como antes havia deslizado para os seus sonhos e que, agora, só lhe restasse aquele temor de sair dali ou de morrer ali, de se ter enterrado a si própria na areia que em tempos idos haviam sido o seu mundo. que do seu mundo sobrasse apenas a sua morte. por dentro. de dentro.
obrigou-se a levantar. com esforço saltou do baloiço num gesto pouco convencido. ajoelhou-se no chão e começou a escavar. a areia escorregava para o buraco, quanto mais fundo iam as suas duas mãos. mas ela não desistia. continuava. eu diria, humildemente, até porque não passo de um mendigo que não tem onde dormir, mas a quem a noite, o escuro e a solidão ensinaram a ter tempo de ler as pessoas, que ela procurava os seus sonhos. todos. desconfio que ficará ali a noite toda. desconfio.
Etiquetas: esquissos
ora então sai um festival
parece que daqui a uns dias rumo ao festival paredes de coura.
a minha primeira experiência festivaleira, há dois anos no sudoeste, foi muito positiva, se calhar porque levava as expectativas pelo mínimo. acho que dias de festival são mesmo dias completamente fora da rotina, do conforto e dos (bons) costumes. é isso que gosto nos festivais, são em tudo diferentes de todos os restantes dias do ano. desta vez vou para o norte. apetece-me tanto verde. apetece-me divertir-me. não ter de conduzir para chegar a casa. convívios até de madrugada. sem horas para dormir, acordar, sentar na mesa e até comer. e dormir quase no chão. e ouvir barulho. e dormir pouco. e acordar com sono. música. tudo. vou ao desafio de conhecer pessoas novas. e quero mesmo é divertir-me.
'bora.
6.8.07
o chão e o tecto.
do pedro.
não sei se alguma vez ententeste que nada acontece para além do que vês aqui. estende o braço. estica a perna. sim, isso. estica bem. os dois. e entende que nada do que te vai acontecer algum dia será mais que isso. será maior que os limites do mundo em que vives e podes tocar: um chão e um tecto. que o sonho não mora aqui, entre as quatros paredes que gentilmente te abrigam o corpo. se é nele que te concentras e sob ele te deitas então entrega-te. submete-te a este chão e a este tecto e vive só o estritamente necessário. agacha-te sobre ti mesmo. encolhe-te de maneira a que caibas aqui: as mãos, os pés e o rosto que escondes com medo de ver a luz. fecha os olhos com força. força as rugas de expressão e mostra nelas a vontade que tens de não sair mais daí. e aí morre. exaspera. vive do chão. e do tecto. e do mundo em que tocas mal te esticas. sim, isso, estica-te.
o céu. as nuvens. o sol. a lua. são sonhos. ilusões que podes ver sentado no chão rugoso que ainda agora apalpaste. tacteia-o e sente-lhe o pó. é essa a cama que todos os dias te recolhe. se espreitares à janela vais perceber. sim, faz um esforço. estica-te e toca na vidraça. sente o calor do sol. olha! a luz das estrelas. e percebe-me. percebe a ironia que te dirigo, aí, ao sítio que escolheste para viver. sem sonhar. entre o chão e o tecto que serão o limite de tudo o que queres. onde acabarás por morrer. sem sonhar.
Etiquetas: esquissos
há uma coisa que eu tenho em comum com o berardo (sim, ele, ainda)
o pin vermelho em forma de coração que é de borla no museu: culture for life.
coisas que me intrigaram durante a visita ao museu berardo
e depois também. ou duas ou três perguntinhas que lhe faria se (eu) tivesse tempo, claro.
1) aquilo tudo custa mesmo muito dinheirinho, não custa?
2) e antes de ali estarem, onde é que guardava aquela colecçãozinha toda?
3) e tempo? como é que se colecciona assim aquelas coisinhas todas quando se é assim tão novo?
Etiquetas: exposições
5.8.07
sem título 6
já não há dor alguma na vida que me derrube. ou sorriso que me convença. disse-o enquanto ajeitava o xaile preto.
Etiquetas: esquissos
sem título 5
convence-me. engana-me. beija-me. abraça-me. despe-me. e ama-me. mesmo que seja mentira. sussurra-mo. deixa-me tomar banho. vestir-me. dá-me tempo. mas não tanto. foste-te e nem te vi. saí mas já volto. deixei a porta aberta. e mesmo que amanhã não voltes eu estou aqui.
Etiquetas: esquissos
4.8.07
bê-á-bá
de xoua já passamos para xonha. e às vezes ouço o i.
culpem-me por ser uma tia babada e adorar que a minha sobrinha repita dez vezes seguidas o meu nome. culpem-me.
:)
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friday night late and long dvd session (2):
e, sobretudo, dá que pensar que há meia dúzia de meses a opinião geral no nosso país sobre o aborto, fosse precisamente igual ao de há cinquenta anos atrás.
e a minha ingenuidade, que em expressão plena, ainda acreditava que "vera drake" se podia safar, nem que fosse com o testemunho da menina rica que, como tinha 150 libras para pagar, teve tratamento de luxo, aborto às claras, com médico e psiquitra. lamentável. mas claro: há coisas que sempre existiram e que, onde há dinheiro, nunca são perceptíveis e, consequentemente, puníveis de crime. há a hipocrisia de uma sociedade que vota pelo aborto como crime. mas só por aquele que é visível. pelos menos abonados que se sujeitam a menores condições, se expõe mais e servem de estandarte a todos aqueles que lhes assistem à pena em televisão pública, quem sabe deitados na cama de uma clínica de luxo depois de uma cirurgia de procedimentos inquestionáveis mas de efeitos e objectivos duvidosos.
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programa de festas para 30 dias de férias: semana 1
concerto azevedo silva - tambor q fala
concerto voodoo economics - lugar comum
"o grande silêncio"
"dans paris"
concerto andré fernandes 4tet - lux
"scoop"
"vera drake"
museu berardo
senhora do monte
fábrica da pólvora
praia
e outros.
Etiquetas: férias
friday night late and long dvd session:
vou ali terminar a "vera drake". e já volto.
Etiquetas: filmes
1.8.07
porque vale mais tarde que nunca: mais cinema
"Scoop". às 14h. light. humor inteligente. personagens simpáticas, bonitas ou pitorescas. risos. e a boa-disposição que trouxe da sala do cinema valeram (e bem) a viagem a Lisboa só para os ver.
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sem título 4
recuso-me a aceitar que vivas comigo aqui, em mim. e que te acomodes no meu corpo como se fosse também o teu corpo. que adormeças embalado nos meus passos e acordes com a música que escolho a dedo e seria um desperdício partilhá-la com quem não a sabe apreciar. ou simplesmente não merece. quando eu chorar não vais estar aqui para te rir e quando me rir não estarás perto para que veja a troça que fazes enquanto torces o nariz e franzes o sobrolho, ao mesmo tempo que praguejas. mas aqui vives. aqui esperas. e desesperas. porque neste corpo já não há nada que te alimente. e eu sei que um dia vais partir. eu sei que vais. porque a fome que está para chegar é maior que eu. e eu não te vou servir já de alimento.
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