a caminho.
este ano não tenho pressa do ano novo. dois mil e seis era um ano do qual queria fugir, dependendo das perspectivas, pode ser considerado um ano terrível ou apenas um dos anos mais positivos da minha vida: onde cresci e aprendi, onde me tornei mulher, outra mulher, diferente daquela que vivia há demasiado tempo. então dois mil e sete tornou-se um ano desejado, o ano em que tudo o que tinha acontecido em dois mil e seis seria uma miragem e onde a força nova que me tinha tomado de assalto ia tornar os meus sonhos realidade.
o ano de dois mil e sete não primou pela estabilidade financeira, mas indicou-me com bastante claridade aquilo que era mais importante para mim. permitiu-me, na ironia da vida, ter mais tempo para me dedicar a coisas que gosto e as quais ainda não tinha tido oportunidade de fazer. afinal, dois mil e sete, foi mesmo o ano. foi tudo aquilo que eu quis que fosse.
fiz inúmeras coisas. nunca estive parada em casa a olhar para as paredes. tive várias experiências, integrei projectos, fiz amigos e, inesperadamente, ou então não, cheguei aqui. cheguei exactamente onde queria, pelo menos por agora. quando me perguntam o que é que eu queria fazer os próximos anos da minha vida, a nível profissional, eu respondo que é aquilo que estou a fazer exactamente neste momento.
para dois mil e oito atrevo-me a não pedir melhor. ou muito mais. mais um ano musical e que a vida continue aqui e eu também, lado a lado. não é portanto os sonhos tornados realidade que peço, é não perder a capacidade para sonhar e de pelas minhas mãos os poder tornar realidade.
(os brindes e os balanços mensais ou anuais têm sido feitos ao longo do mês entre amigos e copos de álcool. aqui, hoje, resta pouco para dizer, já está tudo dito)
30.12.07
dois mil e oito
Etiquetas: introspecção, quotidiano
27.12.07
mais um 27
e mais uma data a assinalar.
deste lado goza-se período de férias, mais um, eu sei, parece que estou sempre de férias. dia em completa ronha e produção nos confins, ou qualquer outra, a zeros.
e começa a contagem decrescente para dois mil e oito. o ano que demorei um ano e meio a preparar.
Etiquetas: quotidiano
25.12.07
22.12.07
19.12.07
pequenas notas, a minha sobrinha e eu
- a didi tem vinte e um meses.
- a didi já come iógute e nanóninho e yoconanóninho sozinha, a didi sábi.
- a didi já diz todas as palavras que precisa para se exprimir.
- a didi no natal quer um bebé daqueles que dá na televisão e faz cócó.
- a didi gosta de brincar no quatinho para onde rapta tantas pessoas quantas pode.
- a didi adormece a ver o vitinho no youtbe ao colo da tia.
- a didi apanha uma prata ínfima do chão e diz papeu momom.
- a didi gosta de tocar viola.
- a didi gosta de se atirar para o chão e fazer birra, mas a tia consegue sempre domovê-la quando se desata a rir e ela meio estranha à reacção ri-se e levanta-se (foi até agora a melhor forma que arranjei para ela desistir).
- a didi é uma bébé cerscida e quando está na escolinha antes dos meninos chegarem repete vezes infinitas não chóia, não para a educadora.
- a didi gosta de bebés e de cães e de babás (pinguins).
- didi dança à mínima nota musical e bate palminhas.
- a didi é a cara da mãe, mas é a personalidade chapada da tia.
Etiquetas: ser tia é
18.12.07
17.12.07
16.12.07
salgadeiras
nunca disseste que voltavas aqui. nem aqui nem a lado nenhum. recordo isso, sempre que necessário, e passo entre as ruas do costume. o hábito tornou-as quase vulgares. mas desconfio que o quase será indestrutível. nunca serão ruas quaisquer, aquelas.
olho sem que ninguém perceba, nem mesmo eu, que recordo aquele lugar. o mergulho que a passagem milenar dos anos tornou possível na lagoa outrora glaciar. os rochedos, que compõe o cenário, já não são os mesmo desde então. mas não faz mal. não são eles. nem eu. nem nada. nada. nem tu.
as promessas que ficam de lembrança, doce primeira e amarga depois ou ambas em simultâneo, não existem. não chegaram a morrer porque nunca foram sequer ditas. não há promessas. nem mortes.
a água, da salgadeira, que escorria corpos abaixo assistiu serena à história, embora os corpos agissem no sobressalto. na urgência. no desejo. em cenários nunca antes reconhecidos como passivos. a contradição existe. a natureza e a humanidade. o estado de sítio que o suor deixa à passagem.
agora que olho a salgadeira, esta, a de sempre, percebo que não há ninguém que conte esta história. que saiba dela. e a recorde. nem tu. só eu: não há promessas.
nem mortes.
Etiquetas: esquissos
15.12.07
do natal
e das luzes de natal em lisboa.
desprovida de qualquer espírito natalício, quer o religioso quer o consumista, deparo-me contrariada com a iluminação de natal nas ruas de lisboa, as quais, ainda assim, tento apreciar.
vejo-me confrontada com as piores luzes de natal de sempre, ou isso ou é mesmo da ausência de espírito. o cenário é pobre, diria mesmo medíocre. as luzes estão lá, são feias e é natal. e o rossio, uma das principais praças da cidade, não tem qualquer iluminação. o rossio não tem luzes de natal, repito. e pior que isso, só o chiado, zona privilegiada e quase nobre da cidade, desprovida de qualquer sentido estético.
descalabro total, pensava eu.
ontem, a descer a rua do alecrim deparo-me com umas luzes muito sui generis. e volto a pensar, que natal tramado, só coisas feias. já quando venho a subir venho o patrocínio da nespresso, mal de mim, que por falta de memórias mais que se espírito natalício, não associei de imediato aquelas luzez ao dito café.
já mais para a noitinha, como quem diz madrugada, reparo que a almirante reis tem o alto patrocício, atenção, eu disse alto, do banco santander totta. bolas enormes com o logo da dita instituição.
agora sim, descalabro total.
qualquer outro patrocínio que vá encontrar não me vai surpreender. e o meu grau de relação com o natal atingiu o seu ponto de equilíbrio. eu e a cidade de lisboa estamos em perfeita sintonia.
passo a explicar.
para quem, como eu, tem uma relação complexa, para não dizer inexistente, com a igreja e as suas crenças, e o natal não passa de uma época para juntar família, rever pessoas e trocar mimos, o natal pode perder sentido muito rapidamente.
de repente revoltei-me contra o consumismo. contra as listas de presentes. com as horas em centros comerciais a encontrar presentes perfeitos. presentes. revoltei-me contra os presentes. porquê presentes? para quem tem uma visão tão terrena do natal. compreendo que se dêem presentes nos aniversários, mas no natal já não consigo compreender. se a época é de convívio então que haja o convívio, sem presentes. porque manchar a pureza da época com o consumismo efusivo e desenfreado? não.
é assim que dita a cidade de lisboa. o natal é pago por quem tem dinheiro. instituições para pagam o natal da cidade aos cidadãos. são as marcas que nos dão iluminação, que fazem publicidade nas luzes que acompanham o espírito natalício, na sua mais pura contradição. é isso que o natal é: é dinheiro, é poder de compra e publicidade.
e equaciono que a cml tenha optado por uma estratégia de economia. em gastar o dinheiro dos contribuintes em coisas mais úteis que a iluminação de natal. que pronto, se há crise, que se canalize o dinheiro para outras coisas. mas, quer dizer, é natal. é época de crer. de ser, talvez. e na nossa existência, na única altura em que a cidade se enfeita para comemorar algo que não sejam vitórias futebolísticas, gastam o nosso dinheiro em coisas feias e ainda convidam marcar a invadir a cidade de logotipos que não são nem o pai natal nem a rena de nariz vermelho. imagino daqui a uns anos a minha sobrinha, na sua memória de luzes de natal, recordar carinhosamente as luzes do totta na almirante reis. não são as luzes psicadélicas que o santana lopes pôs no rossio há uns anos, são as bolas vermelhas do totta. pelo menos já não podem estar sempre a culpar a coca-cola.
e pronto, é isto.
Etiquetas: introspecção, quotidiano
12.12.07
dona rosa
dona rosa tem um gato. acaba de sair do centro de saúde do bairro e desvia-se como pode, mais do que como sabe, dos buracos e desnivelamentos do paralelo. dona rosa tropeça em mim, metaforicamente pois claro, e aluga-me pela pela vida e pela idade. dona rosa tem oitenta e três anos, é bem parecida, veste bem e usa base. quem a olhar vai querer, como eu, ter aquele ar aos oitenta e três só à base de água e sabão e creme de noite da marca que desconheço.
dona rosa irradia simpatia e um ar que apetece. sorrir à sua conversa não é um esforço e ouvir da sua vida, os seus amores e desamores, e das portadas da janela e da filha não é um sacrifício. é um sorriso pegado.
os ensinamentos que se tiram da vida oferece-mos. diz-me que uma mulher que tira o marido a outra, não pode ser boa coisa. e por isso não a surpreende que a herança do pai da filha tenha ficado por inteiro daquele lado. bem como o nome. o nome. pareceu-me importante a questão do nome, o nome ter sido partilhado com a tal má mulher. a mulher que não podia ter deixado de se apaixonar por um homem que tinha um carro e uma carrinha. infalível.
mas antes que me vá, diz a dona rosa, quer contar-me do seu gato. o seu gatinho. diz que há-de levar uma fotografia dele ao médico na próxima consulta. e diz-me que quando chegar a casa ele há-de dar marradinhas com a cabeça no frigorífico, se não me falha a memória e que assim que pressente a dona chegar, a outra dona, se põe à janela. os animais, diz ela, e eu concordo, não são burros, nem os gatos são antipáticos ou menos bons que os cães. os cães dão muito trabalho. e o gato dela é bem tratado e só come comida daqueles sacos que vêm com gatos no saco.
e a idade. a dona rosa tem apenas oitenta e três anos naquele rosto que irradia juventude. e espalha-a. a ela e ao seu sorriso entre os paralelos do dito bairro. o médico ainda conferiu no bilhete de identidade. mal podia crer. e ela orgulhosa, e sorridente sempre, do seu octagésimo terceiro ano de vida. o coração já lhe falha, mas um dia de cada vez, digo-lhe. devagarinho. e aquele ar jovem a merecer mais um esforço do coração.
os minutos que me rouba desculpa-os. elogia-me. e agradece-me.
e eu começo o dia de uma forma diferente. como se, com tão pouco, conseguisse mudar o dia de alguém. ouvir alguém. conhecer e aprender. sempre mais um bocadinho. mesmo que não pareça.
Etiquetas: esquissos, quotidiano
11.12.07
micro-reflexão ou então não
há enganos que são perfeitos desenganos. há desenganos que são perfeitas vontades. e vontades que são (im)perfeitas. só porque são. porque existem.
Etiquetas: introspecção
portalegre
a viagem para portalegre concretizou-se, após alguns precalços trazidos da noite de sexta. três óptimos concertos: califone, declan de barra e azevedo silva. ares novos e frios, pessoas novas e simpáticas e uma cama confortável. desmitificado o arroz de tamboril, desde almada, que estava delicioso. viagem de regresso tranquila, a ressacar cansaço, com fotografias, apenas mentais como sempre, para recordar mais tarde.
quando selecciono as etiquetas percebo que, ultimamente, todas as minhas viagens são viagens musicais.
7.12.07
mais prémios:
UPDATED
obrigada.
é bom saber que há quem, para além de nos ler, nos distinga entre a imensidão de blogues bons que há para aqui.
e os meus galardoados são:
(C)Como és
Dias Assim
Dias de uma Princesa
Horas Perdidas
Vidro Duplo
Vontade Indómita
Etiquetas: blogues
sem título 19
num lamento, fugaz, a lembrança do que o que foi não será mais. acabou. mesmo quando ainda não começou. e morreu. como quem vivo, embora inerte, perdeu. sem jogar. sem se mexer. e querer. e assim, depois de tudo, que afinal não foi nada, acaba a história. o enredo. o segredo. e tudo mais.
e a alegria. o sorriso. num pranto ou desespero. fugiu, correu e depois parou. esperou. e morreu. e do lamento fugaz e da lembrança atroz nada ficou para contar, nem rezar, a descrença que nasceu.
fim da história.
Etiquetas: esquissos
sem título 18
passo a expressão e a ironia da ilusão. encosto-me. recosto-me. e esqueço-me. está tudo bem.
Etiquetas: esquissos
4.12.07
semana sónica
começa amanhã. quarta, quinta, sexta e sábado, mas este último dia já para os lados de portalegre: ver um (muito) esperado concerto e conhecer mais um pouco do nosso alentejo, desta vez alto-alentejo.
antecipa-se, portanto, a ausência de posts nos próximos dias e festa rija, pelo menos, na sexta-feira.
Etiquetas: quotidiano
mudanças (2)
em dois mil e seis fiz três mudanças. de lisboa para a póvoa do varzim, da póvoa do varzim para o canidelo e do canidelo para lisboa. isto num espaço de cinco meses. há que reter e deixar registado que, desse episódio, me cansei de mudanças. do trabalho que dá arrumar para transportar e depois arrumar e antes disso carregar. portanto, há que tornar o processo fácil. e depois disso torná-lo o mais duradouro possível.
Etiquetas: mudanças, quotidiano
mudanças
em jeito de antecipação.
segundo o pressuposto inicial, daqui a um mês será o último dia do meu estágio. no entanto, e apesar de já me darem algumas certezas quanto a minha continuação na associação, ainda espero a oficialização por parte da ala superior, hierárquica.
ainda assim, já que algumas notícias mo permitem também, começo a pensar em sítios onde gostava de morar. a ideia é sair finalmente do ninho familiar. por melhor ou nem por isso, a ideia é a emancipação e autonomia. é assim que começa mentalmente a visita pelos meus bairros preferidos, por aquilo que espero ter numa casa diferente da minha, em detalhes e afins. a mudança, ainda que não tornada física, já começou.
e admito, porque é totalmente verdade, que me deixa receosa largar o conforto do lar e tudo aquilo que ele proporciona. no entanto, perdem-se umas coisas e ganham-se outras, e por essas, as que ganho, tenho mesmo vontade de arriscar. e com a ideia de que regressar (já) não é uma hipótese viável.
Etiquetas: mudanças, o estágio, quotidiano
o dia, em sinopse
estou cansada. em dias, como este, em que passo seis ou sete horas enfiada no carro sem sair de lisboa canso-me: cidade universitária, avenida de berna, avenida de roma, joão xxi, avenida da liberdade, belém, rossio, castelo. e hoje subi o castelo, coisa que já não fazia há anos, se bem me lembro. o nevoeiro que habitava o castelo era bonito, a vista também, mas o cansaço tolda tudo. ainda visita à exposição "quinta do gato cinzento" e mais uma vista de bradar aos céus, de lisboa, num sítio onde todos gostávamos de morar, um dia.
Etiquetas: exposições, quotidiano
2.12.07
sem título 17
contas-me histórias e rasgas retratos. e resumes o tudo ao papel que cai mutilado no chão pelos teus olhos que não sustêm uma dor. de negro. a palidez das palavras que proferes enquanto salivas estão-te no rosto. e o espelho da cor é o espelho da alma que não aguenta. cai. é demasiado tarde para regressar. quando bateres à porta não vais querer entrar. surpreende-te. aqui já não há sonhos. levei-os todos comigo. encolhe-te e chora. o vazio é grande. e sempre maior que a dor.
Etiquetas: esquissos
sem título 16
se não vives aqui, estás morto. e se não sorris quando passo é porque nunca me viste. nem eu a ti. estendo o braço e estico os dedos mas nunca estás lá. só eu. e quando quero vou atrás e salto e corro e caio. depois levanto-me. quase sempre sozinha. mas sempre sem ti. se não desejas, não temes ou pecas não és igual a mim. e eu sou assim. se não vens quando te chamo é porque não ouves. se quando preciso não estás, já foste, e eu sem ti. se existes não sei. e agora não tenho tempo para te procurar.
Etiquetas: esquissos
mecânica a altas horas da madrugada
sou capaz de andar semanas com o pneu em baixo até me dignar a parar numa bomba de gasolina para o encher. mas ontem a coisa chegou ao limite. estacionei-o a saber que para regressar a casa teria de o mudar e não ia ser nada fácil.
ao fim da noite, o grupo que bate a porta antes de sair mobiliza-se. o pneu é mudado. em grupo. sete pessoas. a ver mudar um pneu.
(mal nos conhecemos, eu àquelas pessoas e elas a mim e já gosto delas. se me vier embora vou ter saudades delas...)
Etiquetas: quotidiano
ressaca
passei o fim-de-semana em recuperação e amanhã já é segunda-feira.
nunca é preciso grande desculpa para beber. umas vezes apetece mais, outras menos. bebe-se porque sim, bebe-se porque a malta se quer divertir mais um bocado, bebe-se para esquecer mesmo sabendo que nunca acontece, mas bebe-se.
e este fim-de-semana aumentou-se o consumo. ressacas em catadupa e fim-de-semana hipotecado entre a almofada e a calanzice. a fazer lembrar o ano passado. isso e as outras coisas. e algumas pessoas, que se repetem. não sei bem.
Etiquetas: quotidiano
nunca bebi o suficiente para não me lembrar do que aconteceu no dia a seguir
e mesmo que bebesse: o pescoço é como o algodão. não engana.
Etiquetas: quotidiano
1.12.07
enigmas informático-familiares
o meu pc deixou de apresentar problemas desde que a gestão da ligação à internet passou a ficar a cargo do mano mais novo.
diria que para enigma seria demasiado fácil.
Etiquetas: quotidiano
noah's ark
cocorosie
(...) Thank you God for this fine day
And bless all the children all over the world
Thank you for the plants and the animals
Oh bring me sweet dreams tonight
And help me be good tomorrow (...)
quando pedi uma música bonita deste-me esta. apaixonei-me.
e adoro esta fotografia.
Etiquetas: música
lisboa mistura 2007
fica de nota de rodapé, em jeito de sussurro, que bom, bom é trabalhar num sítio onde se pode sair durante o expediente para ver coisas assim. no são luiz. chatice.
o programa, um dia atrasado, aqui.
Etiquetas: música, quotidiano
sete da manhã
o vinho tinto do jantar ajudou. o gin tónico ajudou. o shot de uísque também. e a vodka quase podia ter estragado tudo. mas a viagem foi a prometida. o submundo das danças africanas o destino. da noite não há muito para escrever, mas já dizia o outro: os actos ficam para quem os pratica.
pois que assim seja. siga.
Etiquetas: quotidiano
há bons dias
há bons anos. e há muitas coisas boas.
ontem, ou hoje já, visto as horas passarem largamente da meia-noite, entre copos e danças e humores e estados de espírito, há a confirmação (a segunda) de que é para ficar. consegui. o estágio a curto prazo vai ser alargado. a designação estágio profissional parece-me mais confortável e estável, também.
este foi o meu presente de natal. esta foi a chave de ouro do meu dois mil e sete. apostei tudo neste ano. tive tudo menos estabilidade profissional, seja o que isso for, mas tive um percurso que me trouxe exactamente onde queria. há males que vêm por bem. há coisas que têm de acontecer.
é isso. estou onde queria. era isto que eu queria quando acabei o curso, a cultura (estúpido). é a ausência de formalismos e convencionalismos. é conhecer e absorver constantemente estímulos, sejam de música, de performances, artes visuais e afins. porque o mundo, embora às vezes não pareça, existe para além daquelas paredes. trabalhar com pessoas porreiras é muito bom, é um bónus. aceito-o. é óptimo o convívio que se desenrola noite afora em cenários diferentes. estar sempre a conhecer pessoas novas é um luxo, hoje em dia. conheço muitas pessoas que sofrem por isso, por não terem forma de conhecer pessoas novas. ali há isso. ali também há coisas que não são perfeitas. mas de repente, de soslaio e até olhando mais atentamente, parece-me o sítio perfeito para trabalhar nos próximos nove meses.
janeiro era a minha data limite para me dedicar aos sonhos. teria de tornar-me numa pessoas frustrada com um trabalho de merda só para ganhar dinheiro. ir trabalhar além-fronteiras não está posto de parte, ainda há tempo.
os sonhos tornam-se realidade. e a vida é boa. não me quero nunca esquecer disso. a vida é boa. ontem alguém dizia que a felicidade não existe, que é uma punheta. aconselhei-a a largar a masturbação e a experimentar real sex. se calhar estamos sempre a tentar mais e a lutar constantemente pela felicidade, por melhor, mas isso não hipoteca a sua existência. e entre ir indo e nunca chegar ou ficar apenas sentada à espera eu já escolhi: estou a caminho.
desviem-se os cépticos, os descrentes, os solitários por opção, a infelicidade desejada porque eu sou feliz. e ninguém me faz crer em mais nada que não isto. e se é uma ilusão, já as conheci piores. um dia de cada vez e balanços anuais positivos, é isso. é no meio de coisas más ver as boas.
há dias bons.
Etiquetas: introspecção, o estágio, quotidiano





