30.7.08

uma música triste de um dos dias mais felizes, e importantes, da minha vida

Love will save you when the ocean splits itself in two
Love will save you when the cold wind blows right through you
Love will save you when the poison eats the precious air
And love will save you from the snake that crawls around down there

But it won't save me
Love will save you from the evil and the greed of ignorant men
And love will save you from the guilt you feel when youbetray your only friend
Love will save you from yourself when you lose control
And love will save you from all the lies your lover ever told you
But it won't save me

Love will save you from the truth when you think you're free
Love will save you from the cold light of boring reality
Love will save you from the corruption of your lazy-minded soul
And love will save you from your selfish and distorted goals
But it won't save me

Love will save you from the black night and the lightning and the ghost
Love will save you from your misery, then tie you to the bloody post
Love will save you from the hands that pull you down beneath the sea
Love may save all you people, but it will never, never save me
No it won't save me

SWANS - LOVE WILL SAVE YOU

23.7.08

dissertação-sobre-os-homens-e-outros-que-tais

os homens fugiram. têm medo de mulheres inteligentes, emancipadas e com atitude. é intrínseco à sua natureza, porque o é há demasiado tempo, que os homens perseguem as mulheres, os homens conquistam as mulheres e as mulheres esperam por eles em casa. não faz parte do quotidiano as mulheres convidarem homens para sair, fazerem sexo por sexo sem teres que ouvir o discurso do não-te-quero-magoar, como se fossem sempre as vítimas. na verdade os homens acham-nos indefesas, mas são machistas o suficiente para chamarem as mulheres de putas se querem fazer o mesmo que eles. portanto não são bem as vítimas, as mulheres são aquilo que tiverem de ser para justificar as teorias machistas da sociedade em geral. os homens não estão preparados para que uma mulher os domine assim a olho nú. ficam inibidos com uma mulher que os trate de igual para igual, seja independente ao invés de uma flor de estufa que tem escrito na testa por-favor-casa-comigo-que-eu-tenho-medo-de-morrer-sozinha. há mulheres que simplesmente gostam de viver e usufruem da sua solteirice crónica para fazer as suas vidas, ter as suas casas e atitude. não quero com isto dizer que as mulheres que casam não têm atitude, estou só a dizer que a vida é uma selva para uma mulher que tem atitude e não está casada, nem namora há mais anos que aqueles que viveu. pronto, não é sempre assim, e eu sei, os homens não são todos iguais e mais não sei quê não sei que mais. mas não interessa. os homens não estão preparados para um mundo onde as mulheres são autónomas e capazes e inteligentes e sabem tanto ou mais que eles: é genético, é social e está entranhado nas vidas de toda a gente. não é completamente explícito, nem sequer é completamente declarado, ou sempre ou por todos, mas está lá.

mãe, a minha casa é a minha casa e é mais bonita, mas eu gosto mais da tua.

diz ao pai também, por favor.

deus

desculpa-me se és deus, mas sinceramente, tenho uma não-relação com as religiões. com tudo aquilo que nos rotula e nos dá apelidos que nunca serão perfeitos, completamente adequados ou perenes, porque a vida é muita coisa e uma mutação em si mesma e, portanto, eu prefiro ser tudo e não ser nada, depende só dos dias. prefiro ter opiniões e, sem estar completamente ligada a ideologias, ter os meus princípios e o meu olhar crítico sobre o mundo, as pessoas e até as coisas. o meu olhar crítico é demasiado abrangente para me fazer sentir burra, portanto não sinto mesmo essa necessidade de pertença. só às pessoas.

eu sou só eu e já não percebo quando é que tu és só tu e já não és aquele deus que te achas e te auto-infliges. não sei quando é que tu és aquilo que fazes e aquilo que dizes ou és outra coisa qualquer, a maior, a soberana.

não compreendo qual é a graça de seres sempre tão maior e tão grande sem seres tu mesmo, ou percebo que tenhas essa necessidade, só não compreendo a solução que arranjaste.

portanto, olha, até nem faz muito mal, se de repente sou um prémio de um deus que não é na verdade um deus, que se escreve com letra mínuscula como qualquer outro humano que viva com os pés assentes no chão.

se és deus, desculpa, só tenho pena por não compreender, mas também não tenho que o fazer e, na verdade, só o faço porque não tenho mais nada como que me preocupar. e se tu fosses sempre tu, quando eu também sou eu, talvez o mundo, pelo menos para nós, pudesse ser um bocadinho diferente.

17.7.08

my status is set to (9)

NEURA.

dormi duas horas quando cheguei a casa

jantei quase às onze da noite, tentei desistir de um programa-despedida de uma menina linda que está completamente entranhada na minha vida e fui convencida depois de ter ido às lágrimas.

são estas merdas que nos fazem ter noção da idade. não é quando nos perguntam no dia vinte e sete de junho como nos sentimos que faz sentido, faz sentido ir amadurecendo ao longo do calendário e sentir nos episódios da vida que as coisas mudaram. deixamos definitivamente de ouvir as histórias na terceira pessoa e os problemas, as aventuras, os stresses, os dilemas e as felicidades também, pois claro, numa variedade de géneros muito maior, passam a ser contadas na primeira pessoa. chegar aos trinta deixa de ser um qualquer dia e passa a ser daqui a três anos. passamos a ser uma multiplicidade de sensações e de vidas entrelaçadas na nossa, entre o passado, o presente e a perspectiva de futuro, que sabemos que existe e está lá.

(este é um post inacabado, por ora não me apatece guardá-lo em rascunho - porque sei que dessa forma nunca mais pego nele -, por isso segue mesmo assim)

15.7.08

em plena terça-feira entre as onze da noite e coiso

bebo cerveja sozinha em casa. na verdade não estou sozinha, mas é como se estivesse. o que quer que se passa nesta casa além de mim esta noite passa-se na outra ponta da casa, onde não consigo - na verdade, nem quero - perceber qualquer movimento.
então bebo cerveja, coisa que até há um mês e meio atrás bem bebia e, ainda por cima, sozinha. a cevada tem um efeito mais imediato que qualquer outra coisa que beba, extraordinário. o meu corpo não está habituado a esta ingestão desenfreada e, muito menos, solitária deste tipo de alcool.
então dei por mim em casa, outro dia. que merda estes dias em casa, uma pessoa apega-se ao computador, compromete-se com mais colaborações com o objectivo de alargar horizontes, mas depois percebe que o sacrifício é grande e o tempo passado ao computador frita as horas, mais que o cérebro. então uma pessoa quando deve ir para casa descansar afunda-se ainda em mais trabalho, sabe-se lá porquê, se por prestígio, se por vontade ou pela não-vontade de não estar sem fazer nada, mas lamentando-se quando tem responsabilidades e compromissos a cumprir.
é por isso que o álcool é bom, é bom porque é uma alienação temporária, embora lúcida, da realidade, do compromisso, da vida, de tudo. de repente divagar é muito mais importante que cumprir e deveres são palavras a abater sob o uso exclusivo e intensivo do desejo e do prazer, ali, na hora. quem nega o álcool nas suas vidas não sabe completamente o que é viver, como sendo parte do não-viver. eu sei isso que já fui abstémia, apenas por opção, mas rendi-me ao prazer de uma espirituosa ou à adrenalina do descontrolo e total revelação de vontades, prazeres e desejos recônditos e envergonhados. não é uma máscara, quem bebe e usa o álcool a favor das suas necessidades secundárias, ou por aí afora, é tão ou mais corajoso que os outros. primeiro, tem de enfrentar as consequências dos seus actos em plena luz do dia e depois consegue entregar-se livremente aos devaneios da vida. claro que estou a falar do consumo moderado e não de uma doença. dizem que é quem canta, mas eu acho que bebe seus males espanta.

e mais nada.
não há condições.

14.7.08

ai, sim, eu sei, tem mesmo de ser

e o que tem de ser tem muita força.

lá vou eu p'ró castigo.

13.7.08

das voltas que o mundo dá

um dia alguém me disse, para me conformar e me dar uma razão para o fim da nossa relação, que o mundo é que colocava determinadas pessoas, em determinadas alturas, na nossa vida e que havia pouco a fazer em relação a isso. dava-me esse argumento como algo precioso que havia aprendido, como se tivesse sido apanhado de surpresa pela vida.

hoje apesar de entender o sentido dessas palavras e de o compreender de outra forma - a forma de quem o sentiu na pele - acho que nunca é só isso, que é muita coisa, mas que também o é.

9.7.08

qualquer dia corro a maratona

calçada do combro acima e abaixo todo o santo dia. jantar no martim moniz e regressar a santos a pé. regressar da graça a pé. ir dar uma caminhada e voltar, de santos até belém, que resulta em dez quilómetros de caminho percorrido. jantar em alcântara e mais uma vez retornar a pé.

não sei se é desta que emagreço, mas a maratona não falho de certezinha absoluta.

luxo, luxo, luxo

é ter voltado a dormir sem pijama.
pois é, o que eu gosto de dormir despida.

8.7.08

quase comprei um maço de tabaco

facto que só não se consumou porque reparei que não tinha dinheiro suficiente e se fosse levantar dinheiro já não iria responder tão espontaneamente ao impulso e à vontade.

não sei é da primavera ou quê

mas anda tudo a arranjar namorada/o, a juntar-se ou a casar. e não tenho nada contra a felicidade dos outros, só tenho pena porque as pessoas nessas circunstâncias acabam sempre por anular grande parte da agenda que era dedicada aos amigos. a sorte deles é que quando for a minha vez não vão sentir vazio nenhum, precisamente por, dada a velocidade a que conduzem por esta estrada afora, vão andar certamente atarefados a preparar o baptizado dos rebentos ou a primeira comunhão na pior das hipóteses. pronto, vá lá, o casamento.

cortei-me mesmo agora com a faca do pão ao responder a um acto de gula crónico revelador de um trauma profundo

o corte parece profundo, mas qualquer pisadura podia parecer grave quando se imagina que, acontecendo o pior, não há ninguém que nos acuda. a verdade é que esta casa ainda não tem o meu cheiro nem o meu toque. o meu quarto sim, o meu quarto sou eu e os meus móveis de solteira, estado que por ser crónico faz com que me acompanhem em variadas idades da minha vida. se me acontece alguma coisa não me apetece ir bater ao quarto de ninguém, possivelmente ligaria a alguém da minha família para vir, mesmo correndo o risco de voltar para casa depois de me colocar apenas um penso rápido. e isto porquê? que belo dia de merda que eu tive, mesmo quase não tendo feito nada no trabalho nem falado com quase ninguém consegui estar sem vontade de nada o dia todo, muito menos de ir para lá. estou a domesticar o meu ódio de estimação por aquele sítio, para que fique apenas entre quatro paredes, as minhas, mas não está a ser fácil, não está mesmo. depois de gritar a este mundo e o outro que adorava o que faço e que tinha o melhor emprego do mundo, facto que até se mantém, só me apetece correr dali para fora, largar tudo e nunca mais lá voltar. vai daí, chega uma pessoa a casa depois de um belo dia de merda - contrasenso perfeito - e não pode descarregar em ninguém, não pode bater a porta do quarto sem que ninguém desconfie ou se preocupe; ou não pode ir à sala e dizer em espécie de anúncio que assim como os casamentos acabam, os empregos também e que há males piores no mundo; ou ainda poder num acto inconsequente - como é tão típico meu - gritar adeus e não me preocupar com as contas ou a renda ou a comida. definitivamente, não desgostava completamente de ter a minha família por perto.

6.7.08

apetece-me voltar a estudar

:)

a sobrinha está crescida e fala pelos cotovelos

(sai à tia)

leio-lhe uma história em que o cão, no fim, vai fazer ó-ó. engano-me e digo xixi.
ela ri-se, olha para mim e diz na minha cara:

- ah ah ah, enganei-te.

pecado capital

enquanto não me levantar da cama e largar o computador para ir às compras como bolachas de água e sal com queijo flamengo a todas as refeições.

preguiça.

27

junho.
entretanto casei os anos.

pré-requisito

adoro homens inteligentes, cada vez me apercebo mais disso.

há quem goste de mãos bonitas (eu), há quem goste de olhos bonitos (eu) e de sorrisos bonitos (eu), mas a inteligência é daquelas coisas que me deixa feita burro a olhar para um palácio - ou lá como se diz. é partilhar e estimular o conhecimento, é ter diálogos pertinentes e interessantes, é aprender. e isso também dá tesão. isso e escreverem bem, realmente bem. há lá coisa melhor

(sim, eu sei, há)

"os despojos sentimentais"

"Os 'despojos domésticos', a par de outros dois itens, fazem parte do meu interesse fotográfico na 'paisagem urbana'. Numa sociedade hiper-consumista os objectos adquirem rapidamente um valor efémero; tudo é infinitamente substituível. Estes conjuntos de objectos abandonados, que inicialmente revelam a tendência de uma educação geracional e mesmo de uma consciência moral, acabam na realidade por ser uma metáfora de outros círculos. A metodologia das relações humanas — social e emocional — não é diferente da metodologia do consumidor/objecto de consumo. Assim, os despojos domésticos não são mais do que um reflexo dos próprios despojos sentimentais. Tudo é efémero e infinitamente substituível. Seja cartão, plástico ou carne-e-osso."

é mesmo isto.

os bebés fazem-se homens

pois é.

que mania a das mulheres de gostarem de homens mais velhos, soa tanto a produto já feito, embalado e pronto-a-comer, que coisa.

finalmente.

noite animada a acabar no belíssimo bairro do príncipe real rodeada de homens sem ser cobiçada por um sequer. debater pares e discutir trivialidades sexuais intrínsecas às preferências de cada um já com a percentagem de álcool no sangue para lá do aceitável, mas sempre no salto, e sem problema, que o carro, depois do último desaire que me levou a um acidente (tenha relação directa ou não) está encostado.

tanta, tanta coisa a passar-se, portanto retomamos à emissão sem balanços nem telegramas, que nunca o são, a relatar episódios passados. retomamos e isso é que importa, finalmente.