devo dizer que, ao contrário do que uma vez me disseram, os portugueses que vivem em barcelona não são solidários com os que chegam e lutam, assim como eles tiveram de fazer, por um lugar ao sol. solidariedade emigrantes, espírito de entreajuda e outras merdas, numa grande maioria, são só balelas. continuo a surpreender-me com isso, é muito triste, em barcelona ou em qualquer parte do mundo.
e digo já que saio daqui de relações (silenciosamente) cortadas com pessoas a quem chamei amigos. embora também tenha conhecido, admito, dois ou três novos amigos-de-amigos com muito potencial.
22.11.08
(des)ilusão
Etiquetas: introspecção
o meu irmão e a namorada adormeceram no sofá
como quem diz: este fim-de-semana tenho visitas.
Etiquetas: quotidiano
daqui a três semanas devo estar de regresso à pátria
o curso acaba daqui a uma e aquilo que tentei conseguir não consegui: dinheiro para pagar a renda e ficar por cá mais uns tempos, nem com trabalho, nem com um homem lindo e rico que me raptasse para a casa dele. Por isso, regresso. Regresso, a menos que haja algo que se assemelhe a milagre nos próximos dias, com o espírito de missão cumprida, porque aqui vim fazer foi o curso, e está quase terminado.
saiba-se que ainda não desisti e pode ser que volte. fiz muita coisa nestas semanas que poderão, mais cedo ou mais tarde, trazer-me boas notícias.
mas em três semanas vou passar a tomar banho numa banheira de aspecto incontestável; andar descalça em casa; comer proteínas abundantemente; não ter de ter de ir ao supermercado para comer (embora goste muito de ir às compras); ter um quarto só para mim; falar e brincar com a minha sobrinha; deitar-me no sofá e ver televisão; dedicar-me intensamente à candidatura à bolsa de mestrado; procurar emprego; comer um bolo que custe menos que um euro e meio e saiba melhor que os que cá custam isso mesmo; poder beber um chá, um bom chá sem ficar melindrada por achar que posso ter sido assaltada; ver menos turistas e não ter fila - pedestre - para casa; não ser perseguida pelo cheiro a gofres de chocolate; sentir-me em casa dentro de quatro paredes; ter as pessoas que gosto à distância de um telefonema, no máximo, sem roaming e poder ver um rio, o meu.
Etiquetas: quotidiano
19.11.08
casa na praia
e tal.
esqueci-me de dizer no outro dia que vi beach house, um dos melhores de dois mil e oito, sem dúvida. ainda que, devo confessar, que o ranking já não suporta apenas três posições, diria que pelo menos uma dezena e mesmo assim, para a centena e qualquer coisa que vi de concertos é já algo muito generoso.
Etiquetas: música
filho de peixe (não) sabe nadar
mas na minha casa a comida aparecia sempre feita, não fosse o pai era a mãe, e por isso nunca tive de aprender a cozinhar. quando a entidade parental não se encontrava assegurava-se que deixava tudo pensado e quase-feito para as crias comerem - e olhem que isso aconteceu até muito tarde. o meu pai é cozinheiro de profissão, por isso, no que toca à comida sou a filha mais mimada e protegida do mundo, o que dá para o bem e para o mal.
ainda assim, quando penso em coisas que gostava de fazer se não fizesse o que faço seria isso: cozinhar.
no relógio do meu computador ainda é uma da manhã
embora em barcelona sejam duas. sempre que quero saber as horas, tenho de acrescentar mais uma hora, pois claro. às vezes baralho-me, mas acho que ainda não estou preparada para ser e pensar só barcelona.
Etiquetas: introspecção
barcelona continua a mesma cidade de sempre
pelo menos desde que a conheço. e eu também. gasto os dias a ver filmes e séries e à procura de um trabalho que talvez não vá encontrar, a esta altura, em portugal.
uma parte de mim quase desistiu de tudo este fim-de-semana e marcou viagem de regresso, mas quando menos se espera há uma luz no fundo do túnel, uma luz quase perfeita e isso traz toda uma nova força a esta caminhada. portanto, até daqui a duas semanas o que eu vou fazer é lutar para conseguir o meu lugar ao sol, por aqui, mesmo que chova.
mas confesso que tenho saudades, adorava voltar a casa dos meus pais e família e passar tempo na companhia deles, vê-los e saber que estão ali, à distância de uma mão. mesmo que ao fim de duas semanas a coisa se torne complicada, é sempre melhor sabê-los perto que longe.
domingo vou trabalhar, é uma coisa pontual, mas é aquilo que fazia e que procuro continuar a fazer: estou muito contente.
também ando empenhada no concurso de uma bolsa de estudo, para um mestrado nos estados unidos, já passei de uma selecção de vinte e duas universidades a oito ou nove, e já aprendi muito mais do que alguma vez soube sobre os estados americanos. por via das dúvidas, também ando entretida com uns estágios internacionais que encontrei, por mero acaso, no outro dia.
não sei absolutamente nada do meu futuro. sei que não me consigo imaginar a não fazer nada para que seja melhor, por isso antecipo o que posso, mas nunca uma coisa só: seria um exercício demasiado complexo para mim. cada vez me sinto mais perdida, que ando a fugir de mim mesma, e sei que serei a mesma em qualquer cidade do mundo em que viva, mas isso não invalida que tente e que procure - o que quer que seja.
este seria aquele momento perfeito em que alguém, muito sábio, diria: tu não sabes é aquilo que queres. sendo que, ao contrário de todas as outras vezes em que por força da gravidade quase me sentia ofendida, responderia com toda a franqueza: é verdade.
e há dias um querido amigo diz-me que se eu quero uma coisa é muito provavél que aconteça, que é isso que eu faço bem, que sou uma inspiração. perante a constatação surpreendo-me e ponho-me em causa - sei fazer isso tão bem! - e ele responde, em tom de piada, mas arriscando-se a acertar em cheio: inspira.
é isso, esteja onde estiver, seja o que for: respiro. só assim é possível continuar. e talvez seja apenas por isso que continuo, porque me dão o luxo de poder respirar.
Etiquetas: introspecção
11.11.08
dúvidas existenciais de um universo inexistente
casas comigo ou caso eu contigo?
Etiquetas: introspecção
apaixonei-me
em seis minutos e vinte e oito segundos.
JEFF BUCKLEY
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head,
And as I climb into an empty bed,
Oh well, enough said,
I know it's over still I cling,
I don't know where else
I can go,
Over.
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head,
See the sea wants to take me,
The knife wants to slit me,
Do you think you can help me,
Sad veiled bride please be happy,
Handsome groom give her room,
Loud loutish lover treat her kindly,
Though she needs you more than she loves you,
I know it's over - still I cling,
I don't know where else I can go - over;
Over.
I know it's over and it never really began,
But in my heart it was so real,
And you even spoke to me and said,
"If you're so funny, then why are you on your own tonight?"
"And if you're so clever then why are you on your own tonight?"
"And if you're so very entertaining then why are you on your own tonight?"
"And if you're so very good looking, why do you sleep alone tonight?"
I know,
Because tonight is just like any other night,
That's why you're on your own tonight,
With your triumphs and your charms,
while they're in each other's arms,
It's so easy to laugh it's so easy to hate,
it takes strength to be gentle and kind,
over and over and over.
It's so easy to laugh it's so easy to hate,
It takes guts to be gentle and kind,
Over, over.
Love is natural and real,
But not for you my love,
Not tonight my love.
Love is natural and real,
But not for such as you and I my love,
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head,
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head,
Ohhh-ohh,
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head.
Etiquetas: música
8.11.08
o desafio para o qual ninguém me desafiou mas que roubei algures
colocar uma foto individual nossa.
escolher uma banda/artista.
responder apenas com títulos de canções da banda/artista escolhido.
escolher 4 pessoas que respondam ao desafio e avisá-las.
pois que o meu assim reza:
a foto:
o artista: Tim Buckley
1) És homem ou mulher? Aren't You The Girl
2) Descreve-te: Look At The Fool
3) O que as pessoas acham de ti? Wings
4) Como descreves o teu último relacionamento: I Must Have Been Blind/ Helpless
5) Descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado ou pretendente: I Can't See You
6) Onde querias estar agora? The River
7) O que pensas a respeito do amor? Hallucinations
8) Como é a tua vida? Ain't It Peculiar
9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Happy Time
10) Escreve uma frase sábia: The Earth Is Broken
p.s.: só para justificar os cinquenta euros, negociados claro, que dei por dois discos dele. mas são lindos, digo-vos já.
as próximas vítimas: c (como és), horas perdidas, vidro duplo e e-motions.
Etiquetas: música, tudo e mais alguma coisa
6.11.08
psicologia invertida
ainda abordando a temática da crise de perspectiva que me assola: sempre que ligo à minha sobrinha e lhe dizem que eu quero falar com ela ou lhe perguntam se ela quer falar com a tia ela diz que não.
mas eu continuo a insistir.
Etiquetas: introspecção
são um quarto e cinco das cinco da manhã
este post serve basicamente para vos mostrar como as minhas aulas de catalão - apesar de me ter baldado ontem - estão a ser bastante produtivas. claro que depois deste post é totalmente compreensivo que ninguém queira aprender catalão. eu digo que se tiver sexo é mulher, de certeza.
Etiquetas: quotidiano
ao virar a esquina
mal saio de casa, encontro uma das poucas pessoas que conheço em barcelona. um sul-coreano (já falei dele) que está a viver em barcelona a estudar música - flamenco - e que canta, com alegria, bossa nova, entre as canções eleitas temos a garota de ipanema, desafinado e mais uma ou outra que foi cantando entre a plaça nova e a da catalunya.
àparte disso, não contanto com as pessoas e as instituições a que me dirigo para pedir informações, é a única pessoa com que tive diálogos em castelhano: o primeiro há umas duas semanas e o segundo ontem.
mas, admito, é fácil para uma portuguesa achar que fala, mal mas mais ou menos, bem castelhano com um sul coreano que só aprendeu há uns meses. ou isso ou nem quero pensar no que ele se ri quando chega a casa.
Etiquetas: quotidiano
no dia em que o obama foi eleito presidente dos estados unidos...
... estava em barcelona e dormi muito mal. estava ansiosa e apesar de ter posto - admirem-se - o despertador para as sete para saber o resultado, passei a noite a acordar e atenta às horas, a ver quando se aproximava da altura em que, se ligasse o computador, saberia logo o resultado. eram umas seis e quarenta e um quando liguei o computador, mesmo antes do despertador tocar, e no site do público vi o obama, presidente dos estados unidos da américa. fiquei muito contente, dei a novidade à roommate e achei que podia finalmente dormir: é um daqueles dias.
viva.
Etiquetas: quotidiano
karma
só pode ser karma.
eu já tive a minha dose - na verdade valeram por cinco, uma para cada ano - de relações à distância, mas agora que estou em paz defronto-me com a realidade das pessoas que, já mais velhas e crescidas que eu na altura, aderem à coisa. até os cépticos, quem diria.
a verdade é que uma grande amiga com quem vivi a norte se apaixonou por um rapaz (lá) da capital; vivi com uma rapariga a sul cujo namorado estava mais a norte; e agora vivo com uma que está cá, mas tem o namorado lá.
e é só uma constatação, nem é uma queixa.
só tem piada, o karma, dizem.
Etiquetas: introspecção
não é bem uma promessa
é mais uma condição (pseudo) financeira: enquanto não arranjar um trabalho não posso ir à depilação. se aparece o homem da minha vida - e bem-feita era se aparecesse num daqueles concertos que eu vou pagar para ver - lá vou ter de o deixar ir.
apercebo-me agora que estou a ter uma crise de perspectiva.
Etiquetas: introspecção
coisas-coisas, coisas-pessoas e outras-coisas
1) há coisas que só acontecem uma vez na vida, que pelo menos só deviam acontecer uma vez na vida, mesmo que às vezes a segunda vez nos bata à porta, para que no fim fique o sabor especial de um bom primeiro momento, e não o sacrifício que uma segunda exige - é tão importante não perder a primeira como saber deixar ir a segunda;
2) as pessoas não mudam, as pessoas são sempre mais aquilo que nasceram e cresceram a ser que aquilo que queriam ou que mudaram para ou por alguém, por sentimentos adversos à sua completa vontade e que um dia vão acabar;
3) tudo tem um fim: as caixas de cereais; os amores-para-sempre; e os não-sei-viver-sem-ti. e ainda bem.
Etiquetas: introspecção
2.11.08
a mil e duzentos quilómetros de distância e com seis anos de diferença
começo a falar de mulheres e relações com o meu irmão mais novo. talvez um dia destes, para além de irmãos, sejamos bons amigos.
Etiquetas: introspecção
há uma coisa que é tão brutal como irónica
agora tenho tanto tempo para ouvir música.
Etiquetas: música
reflexo condicionado
ou o pavlov não brincava em serviço.
tudo promete correr bem quando se sabe que, para a semana, acontece isto:
LOS CAMPESINOS!
Etiquetas: música
e a vida acontece
a primeira visita a chegar a barcelona trouxe sorte, trouxe uma nova dinâmica aos dias e agitação, talvez compromisso também: o de ser boa anfitriã.
tive uma entrevista na sexta-feira - sem contar aquela por telefone, sendo eu é que devia ser a chefe da gaja que me eliminou ao telefone para um trabalho de merda -, a primeira, face-to-face, em castelhano (tão, mas tão arcaico!). a senhora uma querida, acho que vai pensar em mim para um cargo de marketing, que o meu castelhano ainda está fraco, mas fi-la saber que já ando a aprender catalão, com aulas e tudo.
amanhã poderá haver uma boa notícia, portanto.
esta semana também entrego os papéis para completar uma candidatura, de um emprego que me soa muito bem, mas ao qual não me lembro de ter respondido, nem faço ideia do que seja.
sexta houve jonquil. os meninos ingleses valeram as horas em que me viciei no myspace deles: o concerto foi lindo. a sala estava assim-assim, a atirar para o pobrezinha (e a apolo não se portou muito bem em variadíssimas coisas, lá está, ainda faltam de nós!), mas com grande espírito, entusiasmada e com força para pedir encore, até que se acabaram as músicas. pois, lá está.
JONQUIL
assim sim, com semanas como esta, com fins-de-semana de copos e concertos assim vale tanto a pena viver aqui. isso e conhecer ainda mais pessoas e começar a fazer amigos.
Etiquetas: música, quotidiano