a partir de hoje.
21.6.09
eu e o meu umbigo (3)
ficamos cegos quando ainda estávamos a crescer. quando recuperámos a visão percebemos que o mundo era já muito diferente. e nós também não eramos nada daquilo que eramos antes de ficar cegos. ou então a cegueira mudou-nos.
andamos a conhecer-nos e gostamos, disso e da companhia um do outro.
e temos muito medo de ficar cegos outra vez.
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eu e o meu umbigo
temos dificuldade nesta coisa de deixar que alguém entre, queira muito, e consiga mesmo levar-nos um bocadinho. ou que nos faça pensar em alguém que não nós dois e que nos peça alguma coisa que está para além da nossa vontade.
também achamos que os amores que vêm depois do primeiro são demasiado geríveis: doseia-se, partilha-se com restrições e pensa-se muito. demais?
não sabemos, eu e o meu umbigo, se estamos preparados para isso.
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a existência numa pergunta
e se ser descomprometida for demasiado confortável e fácil para se querer voltar a ter uma relação?
Etiquetas: introspecção
20.6.09
é muito verdade que a forma como os outros nos vêem parte daquela com que nos vemos a nós próprios e, depois, a sabemos transmitir
afinal, está tudo nas nossas mãos.
Etiquetas: introspecção
um, do li, tá
quando menos esperamos - e procuramos até -, das pessoas mais inesperadas em situações pouco prováveis, eis que começam a aparecer, aos pares.
os lugares comuns existem.
mesmo.
Etiquetas: introspecção
19.6.09
santo antónio <3
tenho que deixar isto registado para todo o sempre.
numa palavra: épico.
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eis que chego a um daqueles momentos míticos na vida de uma mulher
em que me pergunto: então, mas então maria, o que é que se passa contigo? não te percebo, agora que te aparece um menino querido e fofo que gosta de ti dizes que não há o quê? clique?
ah, está bem.
Etiquetas: introspecção
18.6.09
estranho
não sei se mais alguém sente que anda uma qualquer estranheza no ar: ou porque achamos que o resto do mundo anda estranho e, mesmo sendo nós sempre os mesmos, isso despoleta situações estranhas; ou porque nos sentimos mais aptos ao desconhecido e exploramos limites que nos levam a lugares estranhos; ou então não é nada disso, anda tudo na mesma, mas o oxigénio anda adulterado e isso leva a que, mesmo nada acontecendo, há algo de estranho que nos paira sobre o couro cabeludo e depois cai vertiginosamente pelo nosso corpo abaixo.
estranho. dizem que ainda por aí uma onda de estranheza, são vários os que se queixam disso, e quando digo queixam não é por lamúrias, apenas porque se vêem em sítios que são improváveis mas, algumas vezes, bons. e podemos dizê-lo a sorrir, a gargalhar até, que estranho.
talvez as coisas não estejam assim tão estranhas e nós sejamos, felizmente para uns e infelizmente para outros suponho, os mesmos de sempre. depois há os mais inquietos, os que procuram que querem descobrir e que, perante adversidades e diletantismos vários, saltam muros e esfolem joelhos. ou então – perdoem-me se em vez de sessão no divã mais parece um tribunal e eu de advogada do diabo, que vos roubo qualquer esperança que pensavam poder encontrar neste texto – somos todos, sempre que podemos e nos sentimos capazes, um bocadinho dos dois. alternadamente. e moderadamente, umas muito mais e outras muito menos.
depois dizemos que é estranho: se calhar só queremos mais, queremos diferente.
eu sempre fui assim, desde miúda, metaforicamente ou não, de esfolar os joelhos.
e se me permitem um conselho: esfolem os joelhos.
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12.6.09
ando a sonhar acordada...
... tanto, tanto, mas tanto, que nem vos passa pela cabeça.
só a mim.
Etiquetas: introspecção
já faltou mais para os vinte e oito
e dizer "há dez anos..." e ficar surpreendida porque afinal parece que foi ontem torna-se cada vez mais recorrente. não se dá por eles passarem, embora bem pensados se perceba que foram vividos como se pode, se quis e o resto do universo permitiu. eles estão todos em mim, uma pessoa só acha que, pronto, levava mais dez anos para envelhecer outros tantos.
este ano os vinte e sete embarcam rumo a milão e já não voltam. no regresso trazemos mais um atrás, em cima, em nós.
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no dia oito
o confim fez um par de anos.
(embora quem o escreve já ande nisto há seis...)
"eu por mim, não me comprometo. só com nada. neste pequeno confim de tudo. tudo o que é meu." (dia 1)